NEUROCIÊNCIAS
PSICOBIOLOGIA
Síndromes com repercussão na deficiência intelectual, distúrbios e
transtornos neuropsicobiológico.
TOMO II - CAPÍTULO IV
Conhecendo e
interpretando quadros sindrômicos específicos.
Sub Capítulo V - TGD –
Transtorno(s) Global do Desenvolvimento.
O Especial da Educação (?). Ou a Educação do Especial (?): A pergunta pela
educação de crianças e adolescentes com Transtornos Globais do Desenvolvimento
tornou-se efetivamente necessária a partir do movimento da Educação
Integradora, com a defesa do ensino comum concebido como local prioritário para
o atendimento educativo de todos os alunos. Existe, contudo, uma forte
tendência de separação desses alunos do ambiente sócio-educacional. Os estudos
sugerem que, ainda hoje, crianças com psicose infantil e autismo são excluídas
da escola e, portanto, do circuito social.
Certamente, trata-se de um fenômeno de múltiplas determinações. Há quem
acredite que tais crianças não são capazes de aprender, ou que a escola não
teria como “contribuir” frente a crianças com comportamentos tão diferenciados.
Tal situação demonstra-se, principalmente, quando a pergunta desencadeante
faz-se através das instituições e outros locais “oficialmente” destinados ao
atendimento educacional destes sujeitos.
Os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são distúrbios nas
interações sociais recíprocas que costumam manifestar-se nos primeiros cinco
anos de vida. Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e
repetitivos, assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades. Os
TGD englobam os diferentes transtornos do espectro autista, as psicoses
infantis, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e a Síndrome de Rett.
Etc. Com relação à interação social, crianças com TGD apresentam dificuldades
em iniciar e manter uma conversa. Algumas evitam o contato visual e demonstram
aversão ao toque promovido pelo o outro companheiro, mantendo-se isoladas.
Podem estabelecer contato por meio de comportamentos não-verbais e, ao brincar,
preferem ater-se a objetos no lugar de movimentarem-se junto das demais
crianças. Ações repetitivas são bastante comuns. Os Transtornos Globais do
Desenvolvimento também causam variações na atenção, na concentração e,
eventualmente, na coordenação motora. Mudanças de humor sem causa aparente e
acessos de agressividade são comuns em alguns casos. As crianças apresentam
seus interesses de maneira diferenciada e podem fixar sua atenção em uma só
atividade, como observar determinados objetos, por exemplo. Com relação à
comunicação verbal, essas crianças podem repetir as falas dos outro - fenômeno
conhecido como ecolalia - ou, ainda, comunicar-se por meio de gestos ou com uma
entonação mecânica, fazendo uso de jargões.
Transtornos
Globais do Desenvolvimento.
É importante a formação
dos grupos sociais que ampliam e discutem a temática em torno dos Transtornos
Globais do Desenvolvimento e suas relações com a Educação. Na podemos perder de
vista as dimensões epidemiológica e histórica, nem deixar de contextualiza os
serviços oferecidos nas áreas da Saúde e Educação. Nesse sentido, a internet é
um instrumento importante que nos
apresenta diversas experiências como emblemática no que se refere às
(im)possibilidades de atendimento educacional. Entre várias Síndromes
envolvendo o TGD as pesquisas acadêmicas avançam em relação ao atual debate
relativo à educabilidade dos sujeitos com psicose infantil e autismo, os
pesquisadores(Mestrandos, Mestres, Doutorandos e Doutores) devem buscar
estabelecer parâmetros para que se apresente a escola e o ao educador como
refeletir na inserção social e constituição do sujeito; buscando, assim,
contribuir para o movimento de integração escolar.
As Psicoses
Infantis.
No Brasil, são poucos
e recentes os estudos sobre crianças que apresentam autismo e psicose infantil.
Tanto no campo da Saúde quanto no da Educação, faltam dados sistematizados
sobre quem são e onde estão estas crianças, sobre os serviços oferecidos, o
percurso escolar e as possibilidades de escolarização. Há dados, no entanto, no
sentido de que a maioria dessa população está desassistida, em termos de
serviços e possibilidades de atendimento; uma parcela significativa dos
profissionais desconhece o que sejam estes transtornos; a desinformação e o
preconceito acabam contribuindo para uma situação de desamparo e exclusão
social, sobretudo daqueles menos favorecidos economicamente. Uma das razões da
ausência de informações e dados epidemiológicos está na profunda discordância,
entre os profissionais da Saúde e Educação, sobre o que sejam o autismo e as
psicoses infantis, suas causas e as alternativas de intervenção. A fim de buscar um encontro mínimo
entre as diferentes abordagens, uma possibilidade é situar a discussão a partir
do Código Internacional das Doenças: CID – 10, proposto pela Organização
Mundial de Saúde/OMS. Esta referência coloca em uma mesma categoria as crianças
e adolescentes, anteriormente classificadas como psicóticas e autistas
independentes das causas aceitas. A esta
ampla categoria foi atribuída a designação Transtornos Globais do
Desenvolvimento. Em relação aos dados epidemiológicos sobre esta população, não
existem referências nacionais. Assim, para obter tais indicadores é necessário
recorrer a estimativas norte-americanas. Naquele país, são estimadas 10 a 15
crianças para cada 10.000. Supondo que essa incidência seja semelhante no
Brasil, podemos indicar um número aproximado de casos na nossa realidade.
Segundo o IBGE(1997), a população
brasileira, de zero a 17 anos, é estimada em 58 milhões de crianças e
adolescentes. Podemos supor, então, que o número de crianças e adolescentes
integrantes desse perfil diagnóstico varie entre 58.000 a 87.000. Não existem estudos que permitam ter uma
noção da incidência dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, por faixa de
renda. Através dos dados do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios
Mentais - DSM-IV (1994) sabe-se que não há correlação entre nível
sócio-econômico e a presença destes transtornos. Não se pode negar, no entanto,
a potencialização das dificuldades quando a falta de recursos financeiros
restringe ainda mais o acesso ao atendimento. Cruzando as informações do IBGE
acerca da situação de pobreza em que vivem 25 % dos sujeitos de zero a 17 anos
– rendimento familiar per capita de até
meio salário mínimo – com a faixa de incidência dos Transtornos Globais do
Desenvolvimento, podemos estimar que, hoje, no Brasil, entre 14.500 e 21.700
crianças e adolescentes apresentam esse quadro clínico associado à condição de
pobreza. Os dados disponíveis sobre a rede de serviços oferecidos são também
poucos e imprecisos. Foram encontradas referências apenas no relatório do
Ministério da Previdência e Assistência Social (1997) quanto à categoria das
deficiências mentais. Segundo esse documento, apenas 2% da demanda são
atendidos e, em sua maioria, os atendimentos são feitos por instituições não
governamentais (segmento que tradicionalmente tem se ocupado desta
população). A psicose infantil é um campo
de estudo que engloba diversas formas de manifestação, sintomatologia e prognóstico. Bleuler (1911), por
exemplo, ao descrever o grupo das esquizofrenias, considerou que, em alguns
casos, um dos sintomas seria a vida interior assumir uma preponderância
patológica, o que consistiria (atualmente) um caso de autismo; foi este termo
que Leo Kanner tomou em 1943 para designar o autismo
infantil ; na descrição dos casos estudados ele chamou atenção para
um distanciamento desses pacientes do contato com os pares da mesma faixa
etária, além de apresentarem dificuldades na linguagem e comportamentos
estereotipados.
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