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quarta-feira, 15 de março de 2017

TOMO II - CAPÍTULO IV Conhecendo e interpretando quadros sindrômicos específicos. Sub Capítulo V - TGD – Transtorno(s) Global do Desenvolvimento.




NEUROCIÊNCIAS PSICOBIOLOGIA
Síndromes com repercussão na deficiência intelectual, distúrbios e transtornos neuropsicobiológico.
TOMO II - CAPÍTULO IV
Conhecendo e interpretando quadros sindrômicos específicos.
Sub Capítulo V - TGD – Transtorno(s) Global do Desenvolvimento.






O Especial da Educação (?). Ou a Educação do Especial (?): A pergunta pela educação de crianças e adolescentes com Transtornos Globais do Desenvolvimento tornou-se efetivamente necessária a partir do movimento da Educação Integradora, com a defesa do ensino comum concebido como local prioritário para o atendimento educativo de todos os alunos. Existe, contudo, uma forte tendência de separação desses alunos do ambiente sócio-educacional. Os estudos sugerem que, ainda hoje, crianças com psicose infantil e autismo são excluídas da escola e, portanto, do circuito social.  Certamente, trata-se de um fenômeno de múltiplas determinações. Há quem acredite que tais crianças não são capazes de aprender, ou que a escola não teria como “contribuir” frente a crianças com comportamentos tão diferenciados. Tal situação demonstra-se, principalmente, quando a pergunta desencadeante faz-se através das instituições e outros locais “oficialmente” destinados ao atendimento educacional destes sujeitos.
Os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são distúrbios nas interações sociais recíprocas que costumam manifestar-se nos primeiros cinco anos de vida. Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades. Os TGD englobam os diferentes transtornos do espectro autista, as psicoses infantis, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e a Síndrome de Rett. Etc. Com relação à interação social, crianças com TGD apresentam dificuldades em iniciar e manter uma conversa. Algumas evitam o contato visual e demonstram aversão ao toque promovido pelo o outro companheiro, mantendo-se isoladas. Podem estabelecer contato por meio de comportamentos não-verbais e, ao brincar, preferem ater-se a objetos no lugar de movimentarem-se junto das demais crianças. Ações repetitivas são bastante comuns. Os Transtornos Globais do Desenvolvimento também causam variações na atenção, na concentração e, eventualmente, na coordenação motora. Mudanças de humor sem causa aparente e acessos de agressividade são comuns em alguns casos. As crianças apresentam seus interesses de maneira diferenciada e podem fixar sua atenção em uma só atividade, como observar determinados objetos, por exemplo. Com relação à comunicação verbal, essas crianças podem repetir as falas dos outro - fenômeno conhecido como ecolalia - ou, ainda, comunicar-se por meio de gestos ou com uma entonação mecânica, fazendo uso de jargões.
Transtornos Globais do Desenvolvimento.
É importante a formação dos grupos sociais que ampliam e discutem a temática em torno dos Transtornos Globais do Desenvolvimento e suas relações com a Educação. Na podemos perder de vista as dimensões epidemiológica e histórica, nem deixar de contextualiza os serviços oferecidos nas áreas da Saúde e Educação. Nesse sentido, a internet é um instrumento importante que nos  apresenta diversas experiências como emblemática no que se refere às (im)possibilidades de atendimento educacional. Entre várias Síndromes envolvendo o TGD as pesquisas acadêmicas avançam em relação ao atual debate relativo à educabilidade dos sujeitos com psicose infantil e autismo, os pesquisadores(Mestrandos, Mestres, Doutorandos e Doutores) devem buscar estabelecer parâmetros para que se apresente a escola e o ao educador como refeletir na inserção social e constituição do sujeito; buscando, assim, contribuir para o movimento de integração escolar.
As Psicoses Infantis.
No Brasil, são poucos e recentes os estudos sobre crianças que apresentam autismo e psicose infantil. Tanto no campo da Saúde quanto no da Educação, faltam dados sistematizados sobre quem são e onde estão estas crianças, sobre os serviços oferecidos, o percurso escolar e as possibilidades de escolarização. Há dados, no entanto, no sentido de que a maioria dessa população está desassistida, em termos de serviços e possibilidades de atendimento; uma parcela significativa dos profissionais desconhece o que sejam estes transtornos; a desinformação e o preconceito acabam contribuindo para uma situação de desamparo e exclusão social, sobretudo daqueles menos favorecidos economicamente. Uma das razões da ausência de informações e dados epidemiológicos está na profunda discordância, entre os profissionais da Saúde e Educação, sobre o que sejam o autismo e as psicoses infantis, suas causas e as alternativas de intervenção. A fim de buscar um encontro mínimo entre as diferentes abordagens, uma possibilidade é situar a discussão a partir do Código Internacional das Doenças: CID – 10, proposto pela Organização Mundial de Saúde/OMS. Esta referência coloca em uma mesma categoria as crianças e adolescentes, anteriormente classificadas como psicóticas e autistas independentes das causas aceitas.  A esta ampla categoria foi atribuída a designação Transtornos Globais do Desenvolvimento. Em relação aos dados epidemiológicos sobre esta população, não existem referências nacionais. Assim, para obter tais indicadores é necessário recorrer a estimativas norte-americanas. Naquele país, são estimadas 10 a 15 crianças para cada 10.000. Supondo que essa incidência seja semelhante no Brasil, podemos indicar um número aproximado de casos na nossa realidade. Segundo o IBGE(1997), a população brasileira, de zero a 17 anos, é estimada em 58 milhões de crianças e adolescentes. Podemos supor, então, que o número de crianças e adolescentes integrantes desse perfil diagnóstico varie entre 58.000 a 87.000.  Não existem estudos que permitam ter uma noção da incidência dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, por faixa de renda. Através dos dados do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais - DSM-IV (1994) sabe-se que não há correlação entre nível sócio-econômico e a presença destes transtornos. Não se pode negar, no entanto, a potencialização das dificuldades quando a falta de recursos financeiros restringe ainda mais o acesso ao atendimento. Cruzando as informações do IBGE acerca da situação de pobreza em que vivem 25 % dos sujeitos de zero a 17 anos – rendimento familiar per capita de até meio salário mínimo – com a faixa de incidência dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, podemos estimar que, hoje, no Brasil, entre 14.500 e 21.700 crianças e adolescentes apresentam esse quadro clínico associado à condição de pobreza. Os dados disponíveis sobre a rede de serviços oferecidos são também poucos e imprecisos. Foram encontradas referências apenas no relatório do Ministério da Previdência e Assistência Social (1997) quanto à categoria das deficiências mentais. Segundo esse documento, apenas 2% da demanda são atendidos e, em sua maioria, os atendimentos são feitos por instituições não governamentais (segmento que tradicionalmente tem se ocupado desta população).  A psicose infantil é um campo de estudo que engloba diversas formas de manifestação, sintomatologia e prognóstico. Bleuler (1911), por exemplo, ao descrever o grupo das esquizofrenias, considerou que, em alguns casos, um dos sintomas seria a vida interior assumir uma preponderância patológica, o que consistiria (atualmente) um caso de autismo; foi este termo que Leo Kanner tomou em 1943 para designar o autismo infantil ; na descrição dos casos estudados ele chamou atenção para um distanciamento desses pacientes do contato com os pares da mesma faixa etária, além de apresentarem dificuldades na linguagem e comportamentos estereotipados.

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