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quarta-feira, 15 de março de 2017

A psicanálise do autismo.



A psicanálise do autismo.
A psicanálise ao longo de sua historia com o autismo vem promovendo possibilidades de transformação da técnica psicanalítica para o tratamento do sujeito autista, diferentemente da abordagem cognitivo-comportamental, que vem trabalhando o autismo com seus sintomas e suas estratégias familiares para que se consiga melhor entender essa síndrome. O conceito de autismo é o mesmo nas duas abordagens, o que difere é o comprometimento das diferentes técnicas de tratamento. Por uma vertente, são abordados os sintomas do autismo e suas conseqüências na família. Pela outra, é enfocado o sujeito. Esse seguimento escrito tem por objetivo realizar uma pequena síntese de alguns casos clínicos divulgados pela abordagem psicanalítica. Assim, iniciaremos, então, citando alguns terapeutas que publicaram alguns casos, como Klein, Tustin, Laznik-Penot, Tafuri e Seincman. Esses autores demonstraram, através de suas experiências clinica, a capacidade de um atendimento diferenciado na técnica psicanalítica. No caso “Dick”, Melanie Klein (1930), relata ter recebido a criança com o diagnostico de demência precoce aos quatro anos de idade, refere-se a ele como uma criança carente e indiferente à presença materna, entretanto, relata uma afetividade de Dick com a babá. A ausência de relação simbólica, segundo Klein, levou a terapeuta à transformação da técnica sugerindo o “jogo simbólico”.  Outra terapeuta que vem de formação kleiniana, entretanto, não seguiu a técnica do jogo simbólico, foi Tustin (1990) que se refere ao “buraco negro” que representaria a separação entre John, um garoto de três anos e meio, e sua genitora, pois a psicanalista considera que a criança sentia-se “grudada na mãe”. Tustin descreve esse fenômeno como uma identificação adesiva. Uma representação extremamente dolorosa seria, portanto, a sensação de separação da mãe. Laznik-Penot (1990) trabalhou com outra técnica com seu paciente Halil de quase dois anos, a “técnica de tradução”. Dirigida diretamente à criança com seus genitores, essa técnica consiste na tradução da produção da criança como um simbolismo pré-existente. Propiciando que a mãe reencontre-se com a “loucura necessária às mães” citada por Winnicott, a qual seria a capacidade da mãe de interpretar ou traduzir as necessidades da criança mesmo que esta ultima não deixe claro. A proposta de Tafuri (2000) é justamente possibilitar o entendimento da diversidade do atendimento a criança autista. Publicou o caso chamado de Maria, menina que tinha três anos quando foi encaminhada com o diagnostico de autismo infantil precoce. Foi realizado um trabalho analítico com a criança e com seus genitores, o atendimento com a criança, munido com uma alta carga afetiva, com contato corporal, baseado numa identificação quase mãe-bebê. O que marca esse episódio de analise é a capacidade da analista de se identificar com á angustia do paciente e torná-lo um tipo de filho analítico, que seria uma nova proposta de tratamento da psicanálise. Essa perspectiva de tratamento com a criança autista converge sobre o mesmo foco do caso clinico divulgado por Seincman (1997). Lucas, um menino de cinco anos, encaminhado pela fonoaudióloga que desistira de trabalhar com a criança por ser autista. A partir do tratamento de Lucas, essa autora promove uma modificação no tratamento psicanalítico e chama essa novidade de “aposta antecipatória”. Durante o primeiro encontro, ao chamamento da terapeuta, o pequeno agarra-se na mãe e no segundo chamado agarra-se à terapeuta. Relata que a impressão foi de que a criança queria manter-se colada a ela. Relata também que os encontros não se restringiam ao garoto, mas também aos genitores. O pai, em um desses encontros, relata sua divida com o filho e a esposa. A conduta da genitora da criança, segundo a terapeuta era rígida e exigente.  A mãe que com a ajuda da terapia começa a entender alguns gestos de Lucas. Seincman durante os seus relatos fala sobre a melhora de Lucas. O tratamento propiciava à criança a inserção familiar, entretanto, para promover essa aposta, a terapeuta trabalha com um sujeito pré-existente que seria Lucas. Sua aposta consistia na possibilidade de trazer o sujeito Lucas da ausência para se tornar uma criança presente, foi nessa aposta que Lucas passou a torna-se um filho psicanalítico, e foi nessa sensibilização empática com o paciente que propiciou um tratamento bem sucedido na abordagem psicanalítica. Creio que é prudente sugerir que a clinica psicanalítica, é uma “clinica mutante” para a singularidade do sujeito autista; cada paciente é visto com o seu conteúdo, sem receber estereótipos que o tornem comum. As diferentes técnicas convergem no mesmo foco a “singularidade do sujeito”, suas adaptações permitem a família ver a criança autista com suas necessidades e angustias, trazem à família a possibilidade de entendê-lo na sua essência, aceitando como membro ativo da sociedade familiar e não como portadores de autismo que promove efeitos e componentes estressores no âmbito do lar

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