NEUROCIÊNCIAS PSICOBIOLOGIA
Síndromes com repercussão na deficiência
intelectual, distúrbios e transtornos neuropsicobiológico.
TOMO II
CAPÍTULO II
Deficiência Intelectual.
Capitulo II
Deficiência Intelectual
1.
Introdução.
2.
Atualizações semânticas
na inclusão de pessoas.
3.
Deficiência mental ou
intelectual.
4.
Doença ou transtorno
mental.
5.
Córtex Cerebral.
6.
Tipos de córtices:
7.
Tipos de Células.
8.
MAPEAMENTO CEREBRAL
9.
JAMES WILLIS (1980).
10.
Reflexões conceituais.
11.
Delirium x Delírio
(**).
12.
Delirium. Prejuízo
Cognitivo.
13.
As classificações.
DSM-IV.
14.
As classificações.
CID-10.
15.
Delírio.
16.
Características e
classificação dos delírios.
17.
Enquadrando no CID-10.
18.
Distúrbio delirante no
CID-10.
19.
Especificação para
possíveis subtipos.
20.
Delírio, Delirium e
Delirium tremens.
21.
CID-10 Capítulo V:
Transtornos mentais e comportamentais.
22.
ANEXOS
ANALÍTICO/INTERPRETATIVO/COGNIÇÃO DISCENCIAL.
23.
DSM IV.
24.
Cuidados.
25.
As fontes do DSM-IV.
26.
DSM-V.
27.
Deficiência.
28.
Evolução social em
conceitos contemporâneos.
29.
Convenção da deficiência.
30.
Vygostskyana e o
Sócio-interacionismo.
31.
Zona de desenvolvimento
proximal.
32.
Interacionismo e
desenvolvimento.
33.
Conectivismo.
34.
Teoria(s) da
Aprendizagem.
35.
Resumo da teorização e
perspectiva de interação neuroanatomofuncional.
36.
Caixa de Skinner.
37.
Ratos da raça Wistar.
38.
Características.
39.
Uso em pesquisa.
40.
Referências:
41.
Peso/Idade
42.
Disponibilidade.
43.
Observações.
Classificação Microbiológica.
Classificação Microbiológica.
44.
Microbiota.
45.
Estrutura e
funcionamento da caixa.
46.
Auschwitz.
47.
Duas espécies de
aprendizagem.
48.
Implicações no Ensino:
A Tecnologia do Ensino.
49.
A Máquina de Ensinar.
50.
Materiais Programados
(Instrução Programada).
51.
Conclusão.
52.
História da caixa de
Skinner.
54.
John Broadus Watson.
55.
Burrhus Frederic
Skinner.
56.
Ponto básico de Carl
Rogers.
57.
Deficiência
intelectual.
58.
Neuroquímica do
Cérebro.
59.
Tipos e manifestações.
60.
Prevenção.
61.
O quociente de
inteligência.
62.
Tratamento.
63.
Diagnosticando a
Deficiência Intelectual ou Atraso Cognitivo.
64.
Cognitione.
65.
Significado de
Intelecto.
66.
Atraso cognitivo.
67.
DEFICIENCIA COGNITIVA.
68.
INTRODUÇÃO
69.
DESENVOLVIMENTO.
70.
Deficiência
Intelectual: Etiologia de alguns casos clínicos.
71.
CAUSAS INFECCIOSAS.
72.
PERÍODO PRÉ-NATAL.
73.
PERÍODO POS NATAL.
74.
O Professor.
75.
CONSIDERAÇÕES FINAIS.
76.
RECOMENDAÇÕE
REFLEXIVOS.
77.
BIOGRAFIA ESPECIAL I.
78.
BIOGRAFIA ESPECIAL II.
79.
OBRAS PARA A
HUMANIDADE.
80.
Português:
81.
Inglês:
82.
ANEXO I
83.
A Máquina de Ensinar II
– REFERÊNCIA DE PESQUISA ÁUDIO VISUAL..
84.
Skinner fala sobre à
Maquina de Ensinar
85.
ENTREVISTA DO CIENTISTA
ANTES DE FALECER.
86.
B.F. Skinner at the APA
Annual Convention (8\10\1990) - Discurso de BF Skinner na convenção anual da
American Psychological Association
Introdução.
No capítulo I me posiciono em relação ao termo DEFICIÊNCIA
INTELECTUAL. Muito em voga na comunidade pedagógica. Posso está equivocado,
mas, toda via, observo entre alguns o equivocado conceito de que não existe
mais o termo deficiência mental, sendo este substituído pela expressão DI – ou
Deficiência intelectual. Tive o prazer de ser aluno da ilustre Mestre
Professora MARIA AUXILIADORA RODRIGUES PAIVA, do Instituto de Educação
do Ceará, no CURSO DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, e afirmo que as ponderações da
mestra me levam a uma reflexão mais profunda. Inspirado na douta educadora decide
transcrever um capítulo nesse tomo destinado a conceituações técnicas que leva
ao entendimento que ainda existem os termos: DEFICIÊNCIA MENTAL, como
transtorno e distúrbio, e a Deficiência Intelectual como parte do processo de
dificuldade de aprendizagem com ou sem comprometimento de outras funções no
espectro do * córtex cerebral.
Atualizações semânticas
na inclusão de pessoas.
Deficiência mental ou
intelectual.
Doença ou transtorno
mental.
À medida que o movimento inclusivo se espalha pelo mundo, palavras
e conceituações mais apropriadas ao atual patamar de valorização dos seres
humanos estão sendo incorporadas ao discurso dos ativistas de direitos, por
exemplo, dos campos da deficiência e da saúde mental. Consideremos, em primeiro lugar, a questão do
vocábulo deficiência. Sem dúvida alguma, a tradução correta das palavras
(respectivamente, em inglês e espanhol) "disability" e
“discapacidad" para o português falado e escrito no Brasil deve ser
deficiência. Esta palavra permanece no universo vocabular tanto do movimento
das pessoas com deficiência como dos campos da reabilitação e da educação.
Trata-se de uma realidade terminológica histórica. Ela denota uma condição da
pessoa resultante de um impedimento (“impairment”, em inglês). Exemplos de
impedimento: lesão no aparelho visual ou auditivo, falta de uma parte do corpo,
déficit intelectual. O termo “impairment” pode, então, ser traduzido como
impedimento, limitação, perda ou anormalidade numa parte (isto é, estrutura) do
corpo humano ou numa função (isto é, funções fisiológicas) do corpo, de acordo
com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde (CIF),
aprovada pela 54ª Assembléia da Organização Mundial da Saúde em 22 de maio de
2001. Segundo a CIF, as funções fisiológicas incluem funções mentais. O termo
anormalidade é utilizado na CIF estritamente para se referir a uma variação
significativa das normas estatísticas estabelecidas (isto é, como um desvio da
média da população dentro de normas mensuradas) e ele deve ser utilizado
somente neste sentido. O conceito de
deficiência não pode ser confundido com o de incapacidade, palavra que é uma
tradução, também histórica, do termo "handicap". O conceito de
incapacidade denota um estado negativo de funcionamento da pessoa, resultante
do ambiente humano e físico inadequado ou inacessível, e não um tipo de
condição. Exemplos: a incapacidade de uma pessoa cega para ler textos que não
estejam em braile, a incapacidade de uma pessoa com baixa visão para ler textos
impressos em letras miúdas, a incapacidade de uma pessoa em cadeira de rodas
para subir degraus, a incapacidade de uma pessoa com deficiência intelectual
para entender explicações conceituais, a incapacidade de uma pessoa surda para
captar ruídos e falas. Configura-se, assim, a situação de desvantagem imposta
às pessoas COM deficiência através daqueles fatores ambientais que não
constituem barreiras para as pessoas SEM deficiência. Infelizmente para nós,
que lutamos há décadas pelo uso de terminologias corretas, a acima referida CIF,
em inglês ICF - International Classification of Functionality, Disability, and
Health (www.who.int/icf/onlinebrowser/icf.cfm), foi oficialmente traduzida para
o português como CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E
SAÚDE (www.fsp.usp.br/~cbcd). A tradução é inconsistente, pois consta na capa o
título “Classificação Internacional de Funcionalidades, Incapacidades e Saúde”
(no plural) e esse título aparece várias vezes no singular no corpo do
documento. E o pior é que só é utilizada a palavra incapacidade toda vez que,
no texto original, aparece o vocábulo “disability” (deficiência). Imaginemos o
Brasil inteiro voltando agora, como 50 anos atrás, a falar e a escrever:
"Quantos incapacitados existem no Brasil?", "As empresas estão
contratando pessoas incapacitadas", "Que tipo de incapacidade seu
filho tem?". A tradução espanhola está correta: CLASIFICACIÓN
INTERNACIONAL DEL FUNCIONAMIENTO, DE LA DISCAPACIDAD Y DE LA SALUD. A questão
do número. Formalmente, devemos manter a palavra deficiência no singular. Por
exemplo: pessoas com deficiência visual (e não pessoas com deficiências
visuais). Outro exemplo: pessoas com deficiência intelectual (e não pessoas com
deficiências intelectuais). É importante flexionarmos no singular ao nos referirmos
à deficiência e/ou ao tipo de deficiência, independentemente de, no idioma
inglês, ser utilizado o plural ("persons with disabilities",
"persons with intellectual disabilities") ou o singular
("persons with a disability", "persons with an intellectual
disability"). Assim, é incorreto escrevermos, por exemplo: "Fulano
tem deficiências intelectuais", "Sicrano é uma pessoa com
deficiências físicas", "Beltrano é um aluno com deficiências
visuais". Agora, um comentário sobre os vocábulos deficiência mental e
deficiência intelectual. Ao longo da história, muitos conceitos existiram e a
pessoa com esta deficiência já foi chamada, nos círculos acadêmicos, por vários
nomes: oligofrênica; cretina; tonta; imbecil; idiota; débil profunda; criança
subnormal; criança mentalmente anormal; mongolóide; criança atrasada; criança
eterna; criança excepcional; retardada mental em nível dependente/custodial,
treinável/adestrável ou educável; deficiente mental em nível leve, moderado,
severo ou profundo (nível estabelecido pela Organização Mundial da Saúde,
1968); criança com déficit intelectual; criança com necessidades especiais;
criança especial etc. Mas, atualmente, quanto ao nome da condição, há uma
tendência mundial (brasileira também) de se usar o termo deficiência intelectual,
com o qual agora concordo por duas razões. A primeira razão tem a ver com o
fenômeno propriamente dito. Ou seja, é mais apropriado o termo intelectual por
referir-se ao funcionamento do intelecto especificamente e não ao funcionamento
da mente como um todo. A segunda razão consiste em podermos melhor distinguir
entre deficiência mental e doença mental, dois termos que têm gerado confusão
há vários séculos. “O primeiro passo no estudo independente da condição da
deficiência mental” ocorreu no início do século 19, quando se estabeleceu “a
diferenciação entre a idiotia e a loucura” (Enicéia Mendes, in Vivência, n.18,
1996, p.17). Há cinco décadas, especialistas se preocupam em explicar a
diferença que existe entre os fenômenos deficiência mental e doença mental (por
exemplo: Laura Dittmann, 1959, p.5-6; Min. da Saúde e Bem-Estar Social do
Canadá, in Lente, 1959, p.23-24; A.J.Malin, in J.Rehab. in Ásia, 1964, p.20;
Taylor & Taylor, 1966, p.4; James Brussel, 1967, p.144; Roger Freeman, in
Rehab.Literature, 1969, v.30, n.4, p.103-106; Secretary of State for Wales,
1971, p.3; Mental Handicap, 1980, p. 26; Henry Cobb & Peter Mittler, 1980,
p.1-12; Marcelo Gomes, s/d, p.7). Pois são termos parecidos, que muita gente
pensa significarem a mesma coisa. Então, em boa hora, vamos separar os dois
construtos científicos. Também no campo da saúde mental (área psiquiátrica),
está ocorrendo uma mudança terminológica significativa, que substitui o termo
doença mental por transtorno mental. Permanece, sim, o adjetivo mental (o que é
correto), mas o grande avanço científico foi a mudança para transtorno. Em
2001, o Governo Federal brasileiro publicou uma “lei sobre os direitos das
pessoas com transtorno mental” (Lei Federal número 10.216, de 6/4/2001), na
qual foi utilizada exclusivamente a expressão transtorno mental. Aqui também se
aplica o critério do número: pessoa(s) com transtorno mental e não pessoa(s)
com transtornos mentais, mesmo que existam várias formas de transtorno mental.
Segundo especialistas, o transtorno mental pode ocorrer em 20% ou até 30% dos
casos de deficiência intelectual (Marcelo Gomes, “O que é deficiência mental e
o que se pode fazer?”, s/d, p.7), configurando-se aqui um exemplo de
deficiência múltipla. Hoje em dia cada vez mais se está substituindo o adjetivo
mental por intelectual. A Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização
Mundial da Saúde realizaram um evento (no qual o Brasil participou) em
Montreal, Canadá, em outubro de 2004, evento esse que aprovou o documento
DECLARAÇÃO DE MONTREAL SOBRE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL. Observe-se que o termo
intelectual foi utilizado também em francês e inglês: Déclaration de Montreal
sur la Déficiénce Intelectuelle, Montreal Declaration on Intellectual
Disability). A expressão deficiência intelectual foi oficialmente utilizada já
em 1995, quando a Organização das Nações Unidas (juntamente com The National
Institute of Child Health and Human Development, The Joseph P. Kennedy, Jr.
Foundation, e The 1995 Special Olympics World Games) realizou em Nova York o simpósio
chamado INTELLECTUAL DISABILITY: PROGRAMS, POLICIES, AND PLANNING FOR THE
FUTURE (Deficiência Intelectual: Programas, Políticas e Planejamento para o
Futuro). A propósito, uma influente organização espanhola mudou seu nome,
conforme notícia publicada em 2002: “Espanha - Resolução exige a substituição
do termo deficiência mental por deficiência intelectual. A Confederação
Espanhola para Pessoas com Deficiência Mental aprovou por unanimidade uma
resolução substituindo a expressão “deficiência mental” por “deficiência
intelectual”. Isto significa que agora a Confederação passa a ser chamada
Confederação Espanhola para Pessoas com Deficiência Intelectual (Confederación
Española de Organizaciones en favor de Personas con Discapacidad Intelectual). Esta organização aprovou também o novo Plano
Estratégico de quatro anos para melhorar a qualidade de vida, o apoio
institucional e os esforços de inclusão para pessoas com deficiência
intelectual” (in Digital Disnnet Press Agency, Digital Solidarity, n 535, Bogotá,
3/12/02).
Oligrofrenia.
Oligofrenia (do grego olígos = pouco; phrěn →
phrenós = espírito, inteligência), designa a gama de casos onde há um déficit
de inteligência, no ser humano, compondo a chamada tríade oligofrênica:
debilidade, imbecilidade e idiotia. Organismos internacionais e Associações de
pessoas com deficiência, como a APAE, UNICEF, têm recomendado a utilização de
termos como "Portadores de Necessidades Especiais",
"Excepcionais", entre outros – como comentei anteriormente, no lugar
de expressões como Cretino, Idiota, Imbecil que, apesar de termos científicos
oriundos do início da história da medicina, ao longo do tempo os referidos
termos adquiriram um sentido conotativo de ofensa que dificulta sua inclusão
social. Por outro lado sua utilização foi um grande avanço para época em
substituição da crença de indivíduos amaldiçoados ou possuídos pelo demônio. A
oligofrenia constitui os casos onde a capacidade cognitiva do indivíduo -
medida pelo chamado Q.I. (sigla para Quociente de inteligência) - oscila dos
graus zero a noventa. Tem-se como grau de normalidade intelectual os graus de
90 a 110 (com cerca de 68% da população), acima do qual encontram-se os
indivíduos com desempenho intelectual acima da média da população. Sua
manifestação é precoce: o bebê tem dificuldades para mamar, manifestações
intempestivas e injustificáveis de gritos e choro, fisionomia apática,
movimentos lentos e difíceis, considerável retardamento no aprendizado de
caminhar e da fala - quando o consegue - e, mais tarde, a incapacidade de
raciocínio. Há, também, o constante bom-humor e baixa imunidade. A incapacidade
cognitiva da oligofrenia interessa ao Direito especialmente por seus efeitos
nos seus dois grandes ramos: 1).Direito Civil - a oligofrenia é causa de
incapacidade do indivíduo para gerir os atos da vida civil, podendo ensejar a
tutela ou curatela, ou ainda a interdição. 2).Direito Penal - O oligofrênico
não pode ser responsabilizado por seus atos. Tendo cometido algum delito,
incorre na hipótese de inimputabilidade de pena. O autor recomenda a reflexão
temática diante das várias posições clássicas apresentadas.
* Córtex Cerebral.
O córtex cerebral corresponde à camada mais externa do cérebro dos
vertebrados, sendo rico em neurônios e o local do processamento neuronal mais
sofisticado e distinto. O córtex humano tem 2-4mm de espessura, com uma área de
0,22m² (se fosse disposto num plano) e desempenha um papel central em funções
complexas do cérebro como na memória, atenção, consciência, linguagem,
percepção e pensamento. Em animais com capacidade cerebral mais desenvolvida, o
córtex forma sulcos para aumentar a área de processamento neuronal, minimizando
a necessidade de aumento de volume. É constituído por cerca de 20 bilhões de
neurônios, que parecem organizados em agrupamentos chamados microcolunas. É
formado por massa cinzenta e é responsável pela realização dos movimentos no
corpo humano. O córtex é o local de representações simbólicas, o que ele recebe
é processado e integrado, respondendo com uma ação. É a sede do entendimento,
da razão, se não houvesse córtex não haveria: linguagem, percepção, emoção,
cognição, memória. No Homem, o desenvolvimento do córtex permitiu o desenvolver
da cultura que, por sua vez, foi servindo de estimulo ao desenvolvimento
cortical. Uma das maiores mudanças que
ocorreu durante o curso da evolução na escala filogenética do sistema nervoso
dos vertebrados foi o grande aumento em tamanho relativo dos hemisférios
cerebrais. Este fato justifica-se porque o córtex cerebral desempenha um papel
fundamental em numerosas atividades algumas das quais de alto nível,
acontecendo no ser humano – como a linguagem e o pensamento abstrato. De um
modo geral, o córtex cerebral desempenha várias funções, nomeadamente: Aspectos
básicos da percepção, movimento e resposta adaptativa ao mundo exterior;
Atividades de alto nível como a linguagem e o pensamento abstrato.

O córtex cerebral não apresenta sempre a mesma estrutura.
Existem, pois três tipos de córtices:
Paleocórtex
– está majoritariamente presente em áreas restritas da base do telencéfalo.
Relacionado com o sistema olfativo.
Arquicórtex
– está compreendido no hipocampo.
Neocórtex –
quase toda a superfície do córtex cerebral é designada de neocórtex (o que
apareceu mais tardiamente na escala filogenética);
Desenvolve-se interposto entre o arquicórtex
e o paleocórtex e separam-se destes
por zonas de transição cortical com estruturas intermédias (zonas de
justalocortex). Alguns mamíferos apresentam o neocórtex relativamente pequeno,
mas este se desenvolve muito nos primatas e representa na espécie humana cerca
de 95% - da área cortical. Esta expansão
do neocórtex leva á rotação aparente dos hemisférios cerebrais em forma de C,
com o paleocórtex e o arquicórtex a terminar nas duas pontas do C. Todas as
áreas neocorticais no decurso do seu período de desenvolvimento apresentam uma
organização estrutural em seis camadas. No entanto, no cérebro adulto esta
estrutura em seis camadas vai sendo alterada em algumas áreas, pelo que se vão
distinguir no córtex homogenético, córtices homotípicos e
heterotípicos. Basicamente existem:
Córtex homogenético ou isocórtex – córtex inicial e áreas do córtex adulto que
mantêm ainda as seis camadas. Cortex heterogenético ou alocórtex – O
paleocórtex e o arquicórtex nunca apresentam estas camadas.

Tipos de Células.
Células piramidais: As células
piramidais são as células que se apresentam em maior número no neocórtex. O seu
diâmetro pode variar muito (de 10 micrómetros a 70 ou até mesmo 100 micrómetros
– células piramidais gigantes de Betz do córtex motor). Estas células
apresentam um corpo celular da forma cônica do qual saem numerosos dendritos
ricos em espinhas, entre elas umdendrito
apical, muito longa e que abandona o corpo celular para ascender
verticalmente pela superfície cortical, denominando-se os restantes dendritos
de dendritos basais que
emergem de perto da base da célula e se espalham horizontalmente. De notar que
após o nascimento verifica-se
um crescimento acentuado da árvore dendrítica e o aumento das espinhas
dendríticas. O seu axónio é longo atingindo outras áreas
corticais ou até mesmo áreas subcorticais, e utilizam como neuromediador o glutamato (ou
o aspartato) – são por isso excitatórias. Células
não piramidais: as restantes células presentes no córtex cerebral são
designadas coletivamente de células não piramidais e podem ser: células estreladas (ou granulares) – são multipolares. Com algumas
exceções, as células não piramidais apresentam axônios curtos e que permanecem
no córtex (interneurónios).
Algumas recebem inputs excitatórios do tálamo, mas a sua maioria possui
eferências inibitórias que utiliza como neuromediador o GABA. Deste modo
as células piramidais são o principal output do cérebro e as não piramidais os
principais interneurônios.
Outros tipos de células:
Células em cesto do córtex –
estendem-se no plano horizontal, cujo axônio é curto e vertical e se divide em
diversos colaterais horizontais. Fazem sinapse com os corpos celulares e
dendritos das células piramidais;
Células em candelabro – os
seus terminais axônicos apresentam-se dispostos verticalmente (área de sombra é
vertical), o que pronuncia o arranjo colunar do córtex;
Células de Martinotti –
existem na maioria das lâminas, sendo pequenas, multipolares, com campos
dendríticos localizados e axônios longos (células pequenas cujos axônios se
estendem da lamina VI à lamina I);
Células fusiformes;
Células neurogligormes;
MAPEAMENTO CEREBRAL
No mapeamento cerebral,
entre um deles, encontra-se um que é
muito comumente usado foi o concebido por Brodmann, que dividiu o córtex
cerebral em 47 áreas. Os limites entre muitas destas áreas não são precisos, e
também não se verifica uma relação funcional e anatômica tão precisa como seria
inicialmente esperado. No entanto, muitas das áreas descritas por Brodmann
correspondem de fato a áreas funcionalmente bem definidas. É de referir também,
que apesar de cada ser humano ter a mesma quantidade de massa cerebral
relativa, a verdade é que existem muitas variações no tamanho das áreas de
indivíduo para indivíduo.
JAMES WILLIS(1980).
Antes de avançar em pormenores com fins de justificar conceitos
“a” ou e “b”, trago a lume a visão do doutrinador JAMES WILLIS(1980) do KING’s
College Hospital, Londres, UK, que chama a atenção nos termos...
(...) Terminologia Psiquiátrica – “do modo como examinamos e
descrevemos o estado mental, eis uma lista de termos psiquiátricos comumente
usados: ansiedade; depressão; demência; delirium; despersonalização;
desrealização; delírio (**); idéias deliróides; fuga de idéias; alucinações;
hipocondria; ilusão; idéias de referência; neurose; psicose; maneirismo;
obsessões; paranóide; sensações de passividade; esquizofrenia; distúrbios
esquizofrênicos do pensamento”... Etc.
Para os médicos psiquiatras que tem acesso ao presente trabalho,
um alerta, os conceitos aqui citados, como referência no mestre JAMES
WILLIS tem como citação um período anterior ao DSM IV. Na prática da clínica
médica se encontra divergências doutrinárias, mais no aspecto didático
considero necessário como uma citação de investigação conceitual. Ainda no
capítulo I senti a necessidade de assumir uma postura na indicação de
recomendações em relação a procedimentos psicopedagógicos por conta da minha
atuação (autor) como Diretor em uma instituição que cuida de cidadãos
portadores de deficiência intelectual, distúrbios e transtornos mentais.
Reflexões conceituais.
Delirium x Delírio (**).

Delirium – Classificação. Homem com delirium por infecção severa
da meninge. CID-10. F05. CID-9. 293.0.
Diseases - DB 29284 - MeSH D003693. Classificação
internacional de doenças –CDI. O DATASUS disponibiliza o programa PESQCID, que permite a
partir de um nome, parte do nome ou código, localizar as informações sobre a
CID. Este programa está disponível para download na página do DATASUS
www.datasus.gov.br clique em Sistemas e Aplicativos , depois em Cadastros Nacionais ,depois
CID10 e por último em Aplicações, ou visite o sítio do CID-10 -
http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=040203/v2008/cid10.htm - Diseases Database é um website gratuito que fornece informações sobre as
relações entre doenças, sintomas e medicamentos. http://www.diseasesdatabase.com/ - Medical
Subject Headings (MeSH) é
um amplo vocabulário controlado para publicações de artigos e livros na
ciência. http://www.nlm.nih.gov/mesh/
Delirium. Prejuízo
Cognitivo.
O Delirium ou Estado de confusão mental foi descrito por
Hipócrates por volta de 460-366 a.C., sendo um dos primeiros transtornos
neurológicos conhecidos. O termo delirium deriva do latim 'delirare', que
significa "estar fora do lugar", mas é usado atualmente com o sentido
de "estar confuso, distorcendo a realidade, fora de si". Recomendo a
referência: WACKER, Priscilla; NUNES, Paula V. and FORLENZA,
Orestes V.. Delirium: uma perspectiva histórica. Rev. psiquiatr. clín.
[online]. 2005, vol.32, n.3 [cited 2011-06-29], pp. 97-103 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832005000300001&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0101-6083. doi:
10.1590/S0101-60832005000300001.
O 'delirium' é uma síndrome neurocomportamental, causada pelo
comprometimento transitório da atividade cerebral, obrigatoriamente em função
de distúrbios sistêmicos. O prejuízo cognitivo decorre da quebra da homeostase
(equilíbrio/bom funcionamento) do cérebro e da desorganização da atividade
neural. O início é geralmente agudo, variando de algumas horas até poucos dias.
Geralmente o paciente em delirium apresenta sonolência diurna e agitação
noturna, causando prejuízos a seu ciclo saudável de sono. Os principais
sintomas são:
Alterações da consciência e da atenção; Déficits cognitivos
específicos (desorientação temporoespacial, comprometimento da memória, do
pensamento e do juízo); Alterações da sensopercepção (distorções ou ilusões
visuais, auditivas etc.); Perturbações da psicomotricidade (letargia,
movimentos desorganizados); Distúrbios do comportamento e do humor (apatia,
irritabilidade, ansiedade ou euforia). Inversão do ciclo de sono-vigília
(sonolência de dia, insônia a noite). É comum que a pessoa com delirium tenha
uma fala desconexa ou pouco coerente, gemidos de dor e pouca lucidez. Em
delirium longos é comum ocorrerem variações na intensidade dos sintomas e
períodos de maior e menor lucidez.
Estima-se
que nas práticas clínica e cirúrgica, o diagnóstico correto de delirium só é
feito em cerca de 30% a 50% dos pacientes. Portanto é difícil avaliar a real
prevalência do delirium. Dentre os idosos admitidos em serviços de
emergência, estima-se que cerca de aproximadamente entre 25% a 60% apresentem
delirium em algum momento. Sendo assim, trata-se de um dos sintomas mais comuns
em idosos hospitalizados. Está associado à maior taxa de morbimortalidade e mais apresentação
de sinais de deterioração física, com mais complicações
pós-cirúrgicas, registra-se no sentido de maiores
taxas de admissão em Unidade de
Terapia Intensiva(UTI), com maior tempo de
permanência hospitalar e maiores índices de institucionalização após a alta. Em
um estudo com 325 idosos na UTI de um hospital, 44% dos que tiveram delirium
eventualmente foram re-institucionalizados, 10% dos que tiveram sintomas de
delirium e nenhum entre os que não apresentaram sintomas. Portanto,
esse diagnóstico não deveria ser subestimado. Trata-se de um importante
preditor de complicações, fundamental para formular um prognóstico adequado.
No plano da teleologia bioneuropsicológico existem inúmeras possíveis causas,
sendo as mais comuns:
3.
Efeitos de drogas anticolinérgicos, anticonvulsivantes ou outros depressores do sistema nervoso central como benzodiazepínicos e opiáceos;
7.
Passar mais de 24h sem
dormir;
As classificações. DSM-IV.
O
DSM-IV apresenta como critérios diagnósticos para delirium a seguinte ordem:
A. Perturbação
da consciência (isto é, redução da clareza da consciência em relação ao
ambiente), com redução da capacidade de direcionar, focalizar, manter ou
deslocar a atenção.
B. Uma alteração
na cognição (tal como déficit de memória, desorientação, perturbação da
linguagem) ou desenvolvimento de perturbação da percepção que não é mais bem
explicada por demência preexistente, estabelecida ou em evolução.
C. A perturbação
desenvolve-se ao longo de curto período de tempo (em geral de horas a dias),
com tendência a flutuações no decorrer do dia.
D. Existem
evidências, a partir da história, exames físicos ou achados laboratoriais de
que a perturbação é causada por conseqüências fisiológicas diretas de condição
médica geral.
DSM-IV. - Uma atenção
especial para a nota direcionada para a codificação - PRIMEIRA: se o
delirium está associado a uma demência preexistente
do tipo Alzheimer ou Demência
vascular, deve-se codificar o delirium apenas
como subtipo apropriado de demência. Por exemplo: 290.3. Demência - do tipo
Alzheimer, com início tardio, com delirium.
DSM-IV. - Uma atenção
especial para a nota direcionada para a codificação - SEGUNDA: incluir o
nome da condição médica geral no eixo I (Transtornos psiquiátricos clínicos),
por exemplo, 293.0 delirium devido à encefalopatia
hepática; codificar também a condição médica
geral no eixo III (Condições médicas agudas ou doenças físicas).
As classificações. CID-10.
O
CID-10 apresenta como critérios diagnósticos para delirium a seguinte ordem:
A. Comprometimento da consciência e
atenção (em continuum de obnubilação ao coma; capacidade reduzida para dirigir,
focar, sustentar e mudar a atenção);
B. Perturbação global da cognição
(distorções perceptivas, ilusões e alucinações mais freqüentemente visuais;
comprometimento do pensamento abstrato e compreensão, com ou sem delírios
transitórios, mas tipicamente com algum grau de incoerência, comprometimento
das memórias imediata e recente, mas com a memória remota relativamente
intacta; desorientação temporal, assim como, em casos mais graves, espacial e
pessoal);
C. Perturbações psicomotoras
(hipoatividade ou hiperatividade e mudanças imprevisíveis de uma para outra;
tempo de reação aumentado; aumento ou diminuição do fluxo da fala;
intensificação da reação de susto);
D. Perturbação do ciclo sono vigília
(insônia ou, em casos graves, perda total do sono ou reversão do ciclo sono
vigília; sonolência diurna; piora noturna dos sintomas; sonhos perturbadores ou
pesadelos, os quais podem continuar como alucinação após o despertar);
E. Perturbações emocionais, por exemplo,
depressão, ansiedade ou medo, irritabilidade, euforia, apatia ou perplexidade
abismada. O início é usualmente rápido, o curso flutuante ao correr do dia e a
duração total da condição menor que seis meses.
O quadro clínico é tão
característico que o diagnóstico pode ser feito mesmo que a causa subjacente
não esteja completamente esclarecida. Inclui-se ainda:
Síndrome cerebral aguda;
Estado confusional agudo (não-alcoólico);
Psicose infecciosa aguda;
Reação orgânica aguda;
Síndrome psicorgânica aguda.
Delírio.
Em português o conceito de delírio se aproxima do mesmo
significado de delirium. Porém como nos ensina JAMES WILLIS, J. Wolpe, A.
Horden e H. EYSENCK, tecnicamente assumem características difusas com
diferenciais. Um delírio (às vezes denominado desilusão) é caracterizado por
crenças mal fundamentadas fortemente enraizadas na vida de uma pessoa e que
causem prejuízo significativo para si mesmo ou para outros. É um sintoma comum
em transtornos psicóticos, mas também pode ocorrer sozinho como um transtorno
delirante persistente (CID-10: F22). Podem ser classificados como delírios
persecutórios, delírios de grandeza, ciúme patológico, delírios somatoformes,
delírios amorosos ou um misto desses. Delírios ocorrem tipicamente no contexto
de doenças mentais ou neurológicas, embora não estejam ligados a qualquer moléstia
em particular e tenham sido encontradas no contexto de muitos estados
patológicos (tanto físicos quanto mentais). Todavia, elas são de particular
importância no diagnóstico de desordens psicóticas e particularmente na
esquizofrenia. Talvez o caso mais emblemático
de um quadro de delírio na história da humanidade é a de Julio César que ficou famoso por seu delírio de grandeza.
Embora
conceitos não-específicos de loucura estejam em circulação há vários milhares
de anos, o psiquiatra e filósofo Karl Jaspers foi o primeiro a definir os três
critérios principais para que uma crença seja considerada delirante, em seu
livro General Psychopathology: Certeza (mantida com absoluta convicção);
Incorrigibilidade (não passível de mudança por força de contra-argumentação ou
prova em contrário); Impossibilidade ou falsidade do conteúdo (implausível,
bizarro ou patentemente inverídico). Estes critérios ainda sobrevivem no
diagnóstico da psiquiatria moderna. Na edição mais atual do Diagnostic and
Statistical Manual of Mental Disorders, o delírio (juízo) é definido como: "Uma
falsa crença baseada em inferência incorreta sobre a realidade externa que é
sustentada com firmeza apesar das crenças da quase totalidade das pessoas e
apesar do que se constitui em prova incontroversa e óbvia de evidência em
contrário. A crença não é aceita ordinariamente pelos outros membros da cultura
ou subcultura da pessoa (por exemplo, não é uma questão de fé religiosa)"
Em delírios
de perseguição a pessoa se sente constantemente perseguida por entidades
perigosas e por isso tem dificuldade em descansar adequadamente. Caso esse medo
seja fundamentado trata-se de um transtorno de ansiedade (Ex: medo de ladrões e
estupradores em áreas perigosas) e caso seja mal-fundamentado trata-se
provavelmente de psicose (Ex: medo de demônios, alienígenas, fantasmas... etc).
A definição moderna e os critérios originais de Jaspers têm sido objeto de
críticas, posto que contra-exemplos podem ser encontrados para cada
característica definida. Estudos em pacientes psiquiátricos têm mostrado que os
delírios podem variar em intensidade e convicção através do tempo, o que sugere
que certeza e incorrigibilidade não são componentes necessários de uma crença
delirante. Delírios não têm necessariamente de ser falsos ou ter "inferência
incorreta sobre a realidade externa".Algumas crenças religiosas ou
espirituais (tais como "eu acredito na existência de Deus"),
incluindo aquelas diagnosticadas como delirantes, podem não ser falsificáveis
por sua natureza, e portanto não podem ser descritas como falsas ou incorretas.
Em outras situações, o delírio pode se revelar uma crença real. Por exemplo, o ciúme delirante, onde uma pessoa acredita
que seu companheiro está sendo infiel (e pode mesmo segui-lo até o banheiro,
acreditando que ele vai ver a amante até nessas mínimas ausências), pode
resultar no companheiro fiel ser levado à infidelidade pela tensão constante e
sem motivo causado nele pela esposa delirante. Neste caso, o delírio não deixa
de ser delírio pelo fato do conteúdo ter-se revelado posteriormente como
verdadeiro.
Características e
classificação dos delírios.
Resistência e irredutibilidade perante a lógica e à experiência;
Tendência a crescer e a difundir-se por toda a consciência, tornando-se o
centro de gravitação da vida do indivíduo; Falta de consciência da
perturbação. Podem ser classificados em
primários (que aparecem de forma espontânea) ou secundários (compreende-se o
conteúdo do delírio a partir da história pessoal do doente). Por exemplo, uma
mulher que não aceita que seu marido a abandonou pode desenvolver a idéia
delirante de que ele morreu. Quanto à estrutura podem ser classificados em
delírios simples (uma só classe de conteúdos delirantes) ou complexos e ainda
em sistematizados ou não sistematizados (se existe ou não uma interpretação
global e alteração global do comportamento do doente em função dos delírios).
Também podem ser classificados quanto ao conteúdo ( o tema sobre o qual o
indivíduo delira). Os mais comuns são os seguintes:
1 - Delírio de Perseguição, o mais comum de todos. O doente
percebe o ambiente como hostil, acredita ser perseguido por pessoas ou
entidades que o querem prejudicar, ferir ou mesmo matar. Este delírio, por
vezes muito elaborado, é característico, embora não exclusivo, da Psicose Esquizofrênica
e Psicose em estágio paranóico;
2 - Delírio de Influência, freqüentemente associado ao delírio
persecutório, é uma evolução mais grave já que significa destruição maciça da
lógica do doente. O doente crê que as suas atividades e o seu corpo,
pensamentos, etc, são influenciados por forças ocultas (espíritos, microchips,
astros, etc);
3 - Delírio de Hipocôndrio, o doente queixa-se de preocupações e
sintomas somáticos sem nenhuma causa orgânica;
4 - Delírio Melancólico, esse delírio também conhecido como ruína
é freqüente na depressão nervosa psicótica. O doente crê-se ameaçado por
acontecimentos irremediáveis e que nada pode fazer para evitar a ruína ou
catástrofe;
5 - Delírio de Grandeza, o doente sente-se rico, poderoso, cheio
de vigor e possibilidades. Apresenta-se generoso para quem aceita seu delírio,
mas pode tornar-se violento para aqueles que o contrariam;
6 - Delírio de Ciúme, é o
mais freqüente dos delírios passionais. O doente, por temer uma infidelidade
conjugal, cria uma série de racionalizações que o levam para idéias mórbidas de
ciúme. Pode constituir situações de grande periculosidade (agressividade e até
homicídio), sobretudo em doentes alcoólicos.
Podemos elencar um conjunto de outros exemplos, polis existem
outros tipos de delírios: messiânico, de auto-relacionação, reformador,
invenção, etc. As idéias delirantes isoladas, fragmentárias, surgem em grande
número de situações, por exemplo, nas patologias demenciais, em estados
confusionais de origem orgânica e em situações de uso de substâncias
psicotrópicas. O delírio, ou conjunto de idéias delirantes, obriga com
freqüência ao recurso a meios especializados e mesmo ao internamento
psiquiátrico. Apesar de ainda não ser bem conhecida a etiologia bioquímica do delírio existem medicamentos que controlam
eficazmente e na maioria dos casos este sintoma.
Enquadrando no CID-10.
Outra dificuldade com o diagnóstico de delírios é que quase todas
as características citadas no parágrafo anterior podem ser encontradas em
crenças "normais". Muitas crenças religiosas contêm exatamente as
mesmas características, embora não sejam universalmente consideradas
delirantes. De modo semelhante, como Thomas Kuhn demonstrou em The Structure of
Scientific Revolutions (seu livro pioneiro sobre a história e sociologia da
ciência), cientistas podem manter fortes crenças fixas em teorias científicas
apesar de consideráveis evidências em contrário quanto a sua validade. Estes
fatores levaram o psiquiatra Anthony
David notar que "não há uma definição aceitável (em vez de aceita) do
que seja delírio". a prática, psiquiatras tendem a diagnosticar uma crença
como delirante se ela é ou patentemente bizarra, causando sofrimento
significativo, ou preocupa excessivamente o paciente, especialmente se a pessoa
não se deixa influenciar subseqüentemente por contra-evidências ou argumentos
razoáveis. O pensamento constitui a
função da nossa atividade psicológica capaz de orientar e integrar as
representações (imagens), bem como os demais dados elaborados pelo conhecimento
(idéias) em juízos e em conceitos (concretos ou abstratos). No delírio, os
mecanismos associativos do indivíduo desviam-se da realidade ou da lógica,
podendo conduzir a juízos e raciocínios anormais e à produção de alucinações,
percepções e idéias delirantes - ou seja, conteúdos irreais que se impõem a
este indivíduo com uma convicção inabalável.
Emil Kraepelin definia no seu tratado de psiquiatria que "a idéia delirante é uma representação
morbidamente falseada, cuja demonstração não se pode comprovar". Esta
idéia, ou conjunto de idéias, não é acessível ao raciocínio e argumentação
lógica nem é modificada pelo confronto com a realidade.
Distúrbio delirante no
CID-10.
F22 DISTÚRBIOS DELIRANTES PERSISTENTES.
F22.0 - Distúrbio Delirante.
A. A presença de um delírio ou de um conjunto de delírios
relacionados a outros além dos listados como tipicamente esquizofrênicos sob
F20G1.1b ou d (ou seja, delírios que são completamente impossíveis ou
culturalmente inapropriados). Os exemplos mais comuns são delírios persecutórios,
megalomaníacos, hipocondríacos, de ciúme ou eróticos;
B. O(s) delírio(s) em “A” deve estar presente durante pelo menos
três meses.
C. Os critérios gerais para esquizofrenia (F20.0 - F20.3) não são
preenchidos;
D. Alucinações persistentes em qualquer modalidade não devem estar
presentes (porém alucinações auditivas transitórias ou ocasionais que não
estejam na terceira pessoa ou fazendo um comentário corrido podem estar
presentes).
E. Se sintomas afetivos encontram-se presentes durante uma parte
do episódio, os delírios devem persistir sem mudanças em relação ao conteúdo,
na ausência de sintomas de humor;
F. Critérios de exclusão mais comumente usados: Não deve haver
nenhuma evidência de doença cerebral primária ou secundária conforme listado
sob F0 ou um distúrbio psicótico devido a uso de substância psicoativa;
Especificação para
possíveis subtipos.
Os tipos seguintes podem ser especificados, caso se deseje: tipo
persecutório; tipo litigioso; tipo auto-referencial; tipo megalomaníaco; tipo
hipocondríaco (somático); tipo ciumento; tipo erotomaníaco.
F22.8 - Outros distúrbios delirantes persistentes.
Esta é uma categoria residual para distúrbios delirantes
persistentes que não preenchem os critérios para distúrbios delirantes (F22.0).
Distúrbios, nos quais delírios são acompanhados por vozes alucinatórias
persistentes ou por sintomas esquizofrênicos insuficientes para satisfazer
critérios para esquizofrenia, deveriam ser codificados aqui. Distúrbios
delirantes com duração inferior a três meses deveriam, no entanto, ser
codificados, pelo menos temporariamente, em F23.
F22.9 - Distúrbio Delirante Persistente,
não especificado.
F24 DISTÚRBIO DELIRANTE INDUZIDO.
A. O indivíduo deve desenvolver um delírio ou sistema delirante
originalmente desenvolvido por alguém mais, com um distúrbio classificado em
F20-F23
B. As duas pessoas devem ter um relacionamento muito próximo e
estar relativamente isoladas.
C. O indivíduo não deve ter mantido a crença em questão antes do
contato com a outra pessoa e não deve ter sofrido de nenhum outro distúrbio
classificado em F20-F23 no passado.
Delírio, Delirium e
Delirium tremens.
“O delirium tremens é uma forma grave de abstinência do álcool que
envolve súbitas e graves alterações no sistema nervoso ou mental”.
Todos se referem a transtornos do pensamento, porém os delírios
envolvem crenças distorcidas sem prejuízo na inteligência, enquanto delirium
envolve distúrbios cognitivos em função de um problema orgânico. Delírio
envolve crenças mal fundamentadas, que a pessoa resiste a qualquer argumentação
lógica e que causa sérios prejuízos na vida social do indivíduo. Exemplos:
Delírio de grandeza, delírio de perseguição, ciúme patológico... Delirium se
refere a uma confusão mental aguda e importante fator diagnóstico de transtorno
orgânico. Exemplo: Após passar dias sem dormir Salvador Dali relatava ver
objetos sólidos escorrendo e alucinações que inspiravam suas pinturas. Um
exemplo mais comum é não conseguir raciocinar adequadamente, se sentir
desorientado, confuso, lento e apático diante de uma infecção muito séria.
Delirium tremens é um tipo de delirium específico da Síndrome de abstinência de
drogas como álcool, maconha, cocaína ou medicamentos depressores do sistema
nervoso central. Envolve confusão mental, muita ansiedade, euforia, rápidas
variações de humor, distúrbios do sono e convulsões.
CID-10 Capítulo V:
Transtornos mentais e comportamentais.
Os seguintes códigos são usados pela Classificação Estatística
Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde
|
Capítulo
|
Códigos
|
Título
|
|
I
|
Algumas doenças infecciosas e parasitárias
|
|
|
II
|
Neoplasmas (tumores)
|
|
|
III
|
Doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos e alguns
transtornos imunitários
|
|
|
IV
|
Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
|
|
|
V
|
Transtornos mentais e comportamentais
|
|
|
VI
|
||
|
VII
|
Doenças do olho e anexos
|
|
|
VIII
|
Doenças do ouvido e da apófise mastóide
|
|
|
IX
|
Doenças do aparelho circulatório
|
|
|
X
|
Doenças do aparelho respiratório
|
|
|
XI
|
Doenças do aparelho digestivo
|
|
|
XII
|
Doenças da pele e do tecido subcutâneo
|
|
|
XIII
|
Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo
|
|
|
XIV
|
Doenças do aparelho geniturinário
|
|
|
XV
|
Gravidez, parto e puerpério
|
|
|
XVI
|
Algumas afecções originadas no período perinatal
|
|
|
XVII
|
Malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas
|
|
|
XVIII
|
Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de
laboratório, não classificados em outra parte
|
|
|
XIX
|
Lesões, envenenamentos e algumas outras conseqüências de causas
externas
|
|
|
XX
|
Causas externas de morbidade e de mortalidade
|
|
|
XXI
|
Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os
serviços de saúde
|
|
|
XXII
|
Códigos para propósitos especiais
|
A Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças e de
Problemas Relacionados a Saúde é a última de uma série que se iniciou em 1893
como a Classificação de Bertillon ou Lista Internacional de Causas de Morte.
Uma revisão completa dos antecedentes históricos da classificação é apresentada
no Volume 02. Ainda que o título tenha sido alterado visando tornar mais claro
o conteúdo e a finalidade bem como refletir a extensão progressiva da
abrangência da classificação além de doenças e lesões, permanece mantida a
familiar abreviatura CID. Quando da atualização da classificação, as afecções
foram agrupadas de forma a torná-las mais adequadas aos objetivos de estudos
epidemiológicos gerais e para a avaliação de assistência à saúde. O capítulo V
corresponde aos Transtornos mentais e comportamentais. A versão de
2007 - corresponde aos Transtornos mentais e comportamental do CID está disponível em:
ANEXOS
ANALÍTICO/INTERPRETATIVO/COGNIÇÃO DISCENCIAL.
1 F00-F99 - Transtornos Mentais e do Comportamento;
1.1 (F00-F09) Transtornos mentais orgânicos, inclusive os sintomáticos;
1.2 (F10-F19) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso
de substância psicoativa;
1.3 (F20-F29) Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e
transtornos delirantes;
1.4 (F30-F39) Transtornos do humor [afetivos];
1.5 (F40-F48) Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com
o estresse e transtornos somatoformes;
1.6 (F50-F59) Síndromes comportamentais associadas a disfunções
fisiológicas e a fatores físicos;
1.7 (F60-F69) Distorções da personalidade e do comportamento
adulto;
1.8 (F70-F79) Retardo mental;
1.9 (F80-F89) Transtornos do desenvolvimento psicológico;
1.10 (F90-F98) Transtornos do comportamento e transtornos
emocionais que aparecem habitualmente durante a infância ou a adolescência;
1.11 (F99) Transtorno mental não especificado.
F00-F99 - Transtornos
Mentais e do Comportamento.
(F00-F09) Transtornos mentais orgânicos, inclusive os
sintomáticos;
(F00) Demência na doença de Alzheimer;
(F01) Demência vascular;
(F01.1) Demência por infartos múltiplos;
(F02) Demência em outras doenças classificadas em outra parte;
(F02.0) Demência da doença de Pick;
(F02.1) Demência na doença de Creutzfeldt-Jakob;
(F02.2) Demência na doença de Huntington;
(F02.3) Demência na doença de Parkinson;
(F02.4) Demência na doença pelo vírus da imunodeficiência humana
(HIV);
(F03) Demência não especificada;
(F04) Síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por
outras substâncias psicoativas;
(F05) Delirium não induzido pelo álcool ou por outras substâncias
psicoativas;
(F06) Outros transtornos mentais devidos a lesão e disfunção
cerebral e a doença física;
(F07) Transtornos de personalidade e do comportamento devidos a
doença, a lesão e a disfunção cerebral;
(F09) Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado.
(F10-F19) Transtornos
mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa.
As subdivisões seguintes de quarto caractere devem ser usadas com
as categorias F10-F19:
(F1x.0) Intoxicação aguda;
(F1x.1) Uso nocivo para a saúde;
(F1x.2) Síndrome de dependência;
(F1x.3) Síndrome de abstinência;
(F1x.4) Síndrome de abstinência com delirium;
(F1x.5) Transtorno psicótico;
(F1x.6) Síndrome amnésica;
(F1x.7) Transtorno psicótico residual ou de instalação tardia;
(F1x.8) Outros transtornos mentais ou comportamentais;
(F1x.9) Transtorno mental ou comportamental não especificado;
(F10) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de
álcool;
(F11) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de
opiáceos;
(F12) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de canabinóides;
(F13) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de
sedativos e hipnóticos;
(F14) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da
cocaína;
(F15) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de
outros estimulantes, inclusive a cafeína;
(F16) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de
alucinógenos;
(F17) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de
fumo;
(F18) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de
solventes voláteis;
(F19) Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de
múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas.
(F20-F29)
Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes.
1.
(F20) Esquizofrenia.
i.
(F20.0) Esquizofrenia
paranóide;
ii.
(F20.1) Esquizofrenia
hebefrênica;
iii.
(F20.2) Esquizofrenia
catatônica;
iv.
(F20.3) Esquizofrenia
indiferenciada;
v.
(F20.4) Depressão
pós-esquizofrênica;
vi.
(F20.5) Esquizofrenia
residual;
vii.
(F20.6) Esquizofrenia
simples;
viii.
(F20.8) Outras
esquizofrenias;
ix.
(F20.9) Esquizofrenia
não especificada;
2.
(F21) Transtorno
esquizotípico;
3.
(F22) Transtornos
delirantes persistentes;
i.
(F22.0) Transtorno
delirante;
4.
(F23) Transtornos
psicóticos agudos e transitórios;
i.
(F23.0) Transtorno
psicótico agudo polimorfo, sem sintomas esquizofrênicos;
ii.
(F23.1) Transtorno
psicótico agudo polimorfo, com sintomas esquizofrênicos;
iii.
(F23.2) Transtorno
psicótico agudo de tipo esquizofrênico (schizophrenia-like);
iv.
(F23.3) Outros
transtornos psicóticos agudos, essencialmente delirantes;
v.
(F23.8) Outros
transtornos psicóticos agudos e transitórios;
vi.
(F23.9) Transtorno
psicótico agudo e transitório não especificado;
5.
(F24) Transtorno
delirante induzido;
i.
Folie à deux;
6.
(F25) Transtornos
esquizoafetivos;
i.
(F25.0) Transtorno
esquizoafetivo do tipo maníaco;
ii.
(F25.1) Transtorno
esquizoafetivo do tipo depressivo;
iii.
(F25.2) Transtorno
esquizoafetivo do tipo misto;
iv.
(F25.8) Outros
transtornos esquizoafetivos;
v.
(F25.9) Transtorno
esquizoafetivo não especificado;
7. (F28) Outros transtornos psicóticos não-orgânicos;
8. (F29) Psicose não-orgânica não especificada.
(F30-F39) Transtornos
do humor (afetivos).
1.
(F30) Episódio maníaco;
2.
(F30.0) Hipomania;
3.
(F31) Transtorno
afetivo bipolar;
4.
(F32) Episódios
depressivos;
5.
(F33) Transtorno
depressivo recorrente;
6.
(F34) Transtornos de
humor [afetivos] persistentes;
7.
(F34.0) Ciclotimia;
8.
(F34.1) Distimia;
9.
(F38) Outros
transtornos do humor [afetivos];
10.
(F39) Transtorno do
humor [afetivo] não especificado.
(F40-F48) Transtornos
neuróticos, transtornos relacionados com o estresse e transtornos somatoformes.
(F40) Transtornos fóbico-ansiosos;
(F40.0) Agorafobia;
(F40.1) Fobia social;
(F40.2) Fobia específica;
(F41) Outros transtornos ansiosos;
(F41.0) Transtorno do pânico [ansiedade paroxística episódica];
(F41.1) Transtorno de ansiedade generalizada;
(F42) Transtorno obsessivo-compulsivo;
(F43) Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação;
(F43.0) Reação aguda ao estresse;
(F43.1) Estado de “stress” pós-traumático;
(F43.2) Transtorno de adaptação;
(F44) Transtornos dissociativos [de conversão];
(F44.0) Amnésia dissociativa;
(F44.1) Fuga dissociativa;
(F44.2) Estupor dissociativo;
(F44.3) Transtornos de transe e possessão;
(F44.4) Transtornos dissociativos do movimento;
(F44.5) Convulsões dissociativas;
(F44.6) Anestesia e perda sensorial dissociativas;
(F44.6) Transtorno dissociativo misto [de conversão];
(F45) Transtornos somatoformes;
(F45.0) Transtorno de somatização;
(F48) Outros transtornos neuróticos;
(F48.0) Neurastenia.
(F50-F59) Síndromes
comportamentais associadas a disfunções fisiológicas.
(F50) Transtornos da alimentação;
(F50.0) Anorexia nervosa;
(F50.2) Bulimia nervosa;
(F51) Transtornos não-orgânicos do sono devidos a fatores
emocionais;
(F51.0) Insônia não-orgânica;
(F51.1) Hipersonia não-orgânica;
(F51.2) Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos;
(F51.3) Sonambulismo;
(F51.4) Terrores noturnos;
(F51.5) Pesadelos;
(F52) Disfunção sexual, não causada por transtorno ou doença
orgânica;
(F52.0) Ausência ou perda do desejo sexual;
(F52.1) Aversão sexual e ausência de prazer sexual;
(F52.2) Falha de resposta genital (Impotência psicogênica);
(F52.3) Disfunção orgásmica (Anorgasmia psicogênica);
(F52.4) Ejaculação precoce;
(F52.5) Vaginismo não-orgânico;
(F52.6) Dispareunia não-orgânica;
(F52.7) Apetite sexual excessivo (Ninfomania para mulheres,
Satiríase para homens);
(F53) Transtornos mentais e comportamentais associados ao
puerpério, não classificados em outra parte;
(F53.0) Transtornos mentais e comportamentais leves associados ao
puerpério não classificados em outra parte;
Depressão pós-parto SOE;
Depressão puerperal SOE;
(F53.1) Transtornos mentais e comportamentais graves associados ao
puerpério não classificados em outra parte;
Psicose puerperal SOE;
(F54) Fatores psicológicos ou comportamentais associados a doença
ou a transtornos classificados em outra parte;
(F55) Abuso de substâncias que não produzem dependência;
(F59) Síndromes comportamentais associados a transtornos das
funções fisiológicas e a fatores físicos, não especificados;
(F60-F69) Distorções da
personalidade e do comportamento adulto.
(F60) Transtorno de personalidade específico;
(F60.0) Transtorno de personalidade paranóide;
(F60.1) Transtorno de personalidade esquizóide;
(F60.2) Transtorno de personalidade dissocial (sociopatia);
Transtorno de personalidade anti-social;
(F60.3) Transtorno de personalidade emocionalmente instável
Transtorno de personalidade limítrofe;
(F60.4) Transtorno de personalidade histriônica;
(F60.5) Transtorno de personalidade anancástica
Transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva;
(F60.6) Transtorno de personalidade esquiva;
(F60.7) Transtorno de personalidade dependente;
(F60.8) Outros Transtorno de personalidade específico;
Transtorno de personalidade narcisista;
Transtorno de personalidade passivo-agressiva;
(F60.9) Transtorno de personalidade, inespecífico;
(F61) Misto e outros transtorno de personalidade;
(F62) Troca de personalidade permanente, não atribuível a danos
cerebrais e enfermidades;
(F63) Transtornos dos hábitos e dos impulsos;
(F63.0) Jogo patológico;
(F63.1) Piromania;
(F63.2) Roubo Patológico (Cleptomania);
(F63.3) Tricotilomania;
(F64) Transtorno de identidade de gênero;
(F64.0) Transexualismo;
(F64.1) Transvestismo de duplo papel;
(F64.2) Transtorno de identidade de gênero infantil;
(F65) Transtornos da preferência sexual (parafilia);
(F65.0) Fetichismo;
(F65.1) Transvestismo fetichista;
(F65.2) Exibicionismo;
(F65.3) Voyeurismo;
(F65.4) Pedofilia;
(F65.5) Sadomasoquismo;
(F65.6) Múltiplas distorções da preferência sexual;
(F65.8) Outras desordens da preferência sexual: Frotteurismo;
Necrofilia;
(F66) Transtornos psicológicos e comportamentais associados ao
desenvolvimento e à sua orientação sexual;
(F66.0) Desordem da maturidade sexual
(F66.1) Orientação sexual egodistônica;
(F66.2) Transtorno do relacionamento sexual;
(F66.8) Outros transtornos do desenvolvimento psicossexual;
(F66.9) Transtorno do desenvolvimento sexual, não especificado;
(F68) Outros transtornos da personalidade e do comportamento do
adulto;
(F68.0) Sintomas físicos aumentados por fatores psicológicos;
(F68.1) Produção deliberada ou simulação de sintomas ou de
incapacidades, físicas ou psicológicas transtorno factício; Síndrome de
Münchhausen;
(F68.8) Outros transtornos especificados da personalidade e do
comportamento do adulto;
(F69) Transtorno da personalidade e do comportamento do adulto,
não especificado.
F70-F79) Retardo mental.
(F70) Retardo mental leve;
(F71) Retardo mental moderado;
(F72) Retardo mental grave;
(F73) Retardo mental profundo;
(F78) Outro retardo mental;
(F79) Retardo mental não especificado.
(F80-F89) Transtornos
do desenvolvimento psicológico.
(F80) Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da
linguagem;
(F80.0) Transtorno específico da articulação da fala;
(F80.1) Transtorno expressivo de linguagem;
(F80.2) Transtorno receptivo da linguagem - Transtorno de
desenvolvimento (do tipo) afasia de Wernicke;
(F80.3) Afasia adquirida com epilepsia (síndrome de
Landau-Kleffner);
(F80.8) Outros transtornos de desenvolvimento da fala ou da
linguagem Balbucio;
(F80.9) Transtorno não especificado do desenvolvimento da fala ou
da linguagem;
(F81) Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades
escolares;
(F81.0) Transtorno específico de leitura;
Dislexia de desenvolvimento;
(F81.1) Transtorno específico da soletração;
(F81.2) Transtorno específico da habilidade em aritmética;
Acalculia de desenvolvimento; Síndrome de Gerstmann de desenvolvimento;
(F81.3) Transtorno misto de habilidades escolares;
(F81.8) Outros transtornos do desenvolvimento das habilidades
escolares;
(F81.9) Transtorno não especificado do desenvolvimento das
habilidades escolares;
(F82) Transtorno específico do desenvolvimento motor;
Transtorno do desenvolvimento do tipo dispraxia;
(F83) Transtornos específicos misto do desenvolvimento;
(F84) Transtornos globais do desenvolvimento;
(F84.0) Autismo infantil;
(F84.2) Síndrome de Rett;
(F84.4) Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a
movimentos estereotipados;
(F84.5) Síndrome de Asperger;
(F88) Outros transtornos do desenvolvimento psicológico;
(F89) Transtorno do desenvolvimento psicológico não especificado.
(F90-F98) Transtornos
do comportamento e transtornos emocionais que aparecem habitualmente durante a
infância ou a adolescência
(F90) Transtornos hipercinéticos;
(F90.0) Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade;
(F90.1) Transtorno hipercinético de conduta;
(F91) Distúrbios de conduta;
(F91.0) Distúrbio de conduta restrito ao contexto familiar;
(F91.1) Distúrbio de conduta não-socializado;
(F91.2) Distúrbio de conduta do tipo socializado;
(F91.3) Distúrbio desafiador e de oposição;
(F92) Transtornos mistos de conduta e das emoções;
(F92.0) Distúrbio depressivo de conduta;
(F93) Transtornos emocionais com início especificamente na
infância;
(F93.0) Transtorno ligado à angústia de separação;
(F93.1) Transtorno fóbico ansioso da infância;
(F93.2) Distúrbio de ansiedade social da infância;
(F93.3) Transtorno de rivalidade entre irmãos;
(F94) Transtornos do funcionamento social com início
especificamente durante a infância ou a adolescência;
(F94.0) Mutismo eletivo;
(F94.1) Distúrbio reativo de vinculação da infância;
(F94.2) Transtorno de fixação da infância, com desinibição;
(F95) Tiques;
(F95.0) Tique transitório;
(F95.1) Tique motor ou vocal crônico;
(F95.2) Tiques vocais e motores múltiplos combinados (Síndrome de
Tourette);
(F98) Outros transtornos comportamentais e emocionais com início
habitualmente durante a infância ou a adolescência;
(F98.0) Enurese de origem não-orgânica;
(F98.1) Encoprese de origem não-orgânica;
(F98.2) Transtorno de alimentação na infância;
(F98.3) Pica do lactente ou da criança;
(F98.4) Estereotipias motoras;
(F98.5) Gagueira (tartamudez);
(F98.6) Linguagem precipitada;
(F98.8) Outros transtornos comportamentais e emocionais
especificados com início habitualmente na infância ou adolescência (Exemplos:
roer unhas, déficit de atenção sem hiperatividade, masturbação exagerada...);
(F98.9) Transtornos comportamentais e emocionais não especificados
com início habitualmente na infância ou adolescência.
(F99) Transtorno mental não especificado.
(F99) Transtorno mental não especificado em outra parte.
O campo de exploração em pesquisa cientifica no seguimento
neurociência é amplo. Nesse escopo acima apresentado, abrimos precedentes para
a compreensão das bases descritivas de diversos transtornos e distúrbios que
envolvem a questão da “mente”, ou, leia-se do comportamento humano. Por fim, nessa primeira etapa descritiva
recomendo os estudos com base em métodos científicos e metodológicos que sugere
a interpretação dos diagnósticos - CID de fetichismo e sadomasoquismo (Neste trabalho se discuti os diagnósticos
psiquiátricos de desvio sexual como eles aparecem na Classificação
Internacional de Doenças (CID-10), a classificação internacionalmente aceite e
sistema de diagnóstico da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ou seja, a
discussão envolve a temática em categorias diagnósticas: Fetichismo (F65.0),
travestismo fetichista (F65.1), e sadomasoquismo (F65.5). Questões de fundo
importantes em relação as categorias acima são seguidos por uma crítica da
utilidade de diagnosticar esses fenômenos hoje. Especificamente, nós
argumentamos que o fetichismo, travestismo fetichista e sadomasoquismo, também
rotulado Parafilia ou perversão, não devem ser considerados doenças. Por fim,
apresentamos os esforços de uma iniciativa conhecida como ReviseF65, que foi
criada em 1997, para abolir esses diagnósticos)que são em diversas
universidades bases de estudos neurocientíficos envolvendo a questão da
compreensão da violência e da conduta de sexualidade diversas.

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