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quarta-feira, 15 de março de 2017

Conceito de psicose.




Conceito de psicose.
Na psicose, o id se encontra como fator predominante de influência e, necessariamente, há perda da realidade, mesmo que em intensidades e momentos variados. Possuem dois aspectos principais, um referente à despersonalização, que diz respeito aos conhecimentos do individuo sobre si mesmo, seu próprio eu; e, o outro aspecto se refere à desrealização, que é o conhecimento do indivíduo sobre o mundo. Segundo Freud, 1923, a psicose seria um conflito do ego e com realidade externa. Nela, há uma predominância do eu, pois o ego cria um novo mundo interno e externo de acordo com os impulsos do id. Havendo um afastamento da realidade devido a alguma frustração intensa do id. Na medida em que há tentativas de restabelecer nova relação com a realidade, elas se dão sem restrições ao Id, por meio do imaginário, delírios e alucinações. O delírio vem como uma tentativa de cura ou preenchimento dessa realidade que não pôde ser suportada. O Ego constrói um novo real de acordo com os impulsos do Id. Em uma alucinação auditiva, por exemplo, o sujeito ouve seu próprio íntimo, seus pensamentos projetados em vozes. As psicoses podem ser divididas em subgrupos, há aquelas que possuem causas orgânicas e as funcionais que não possuem, há também as psicoses psicogênicas onde há um fator psicodinâmico desencadeante. A esquizofrenia também pode ser considerada um subtipo de psicose crônica. A esquizofrenia é considerada um tipo de psicose crônica onde há distorções das emoções, pensamentos e percepção da realidade, podendo haver delírios e alucinações auditivas e visuais. Menos de 1% da população possui diagnóstico de esquizofrenia depois dos 18 anos, inferior a essa idade, é considerado como “esquizofrenia de inicio precoce” , e antes dos 13 anos é considerado “esquizofrenia de inicio muito precoce” devido a raridade da ocorrência na infância. Há divergências entre os diversos autores sobre a validade de um diagnóstico de esquizofrenia durante a infância. Uma vez que o desenvolvimento não está finalizado, não há como formalizar um diagnóstico, pois os quadros do desequilíbrio apenas se configurarão na fase adulta. Diagnosticar um desequilíbrio mental crônico na infância apenas estigmatização as crianças prejudicando seu desenvolvimento, afirma essa linha de autores. Kanner (1943) utilizou o termo de autismo que havia sido empregado por Bleuler, mas com outro sentido. O Autismo tem sido campo fecundo de produção acadêmica, devido, principalmente, à sua complexidade que não permite um consenso no atual momento do desenvolvimento das ciências; muito pelo contrário, as controvérsias que se encontram nos textos a esse respeito são notórias, desde a definição ontológica até o estabelecimento de sua etiologia e propostas de intervenção.
No pensamento de Kupfer (2000):
“o autista do neurologista não é o autista do psicanalista”.
No DSM IV (APA, 1994), bem como em outros dos principais sistemas diagnósticos, os critérios têm se baseado em três domínios, delineados na obra de Kanner (segundo Bosa & Callias, 2000), o pioneiro nos estudos do autismo:
a) prejuízo qualitativo na interação social;
b) prejuízo qualitativo na comunicação verbal e não-verbal, e no brinquedo imaginativo;
c) “comportamento e interesses restritivos e repetitivos” (Bosa & Callias, 2000).
Neste manual(DSM), o autismo é incorporado à categoria dos transtornos invasivos do desenvolvimento (TID), que reúne transtornos bastante diferentes entre si, sendo que Klin (2007) aponta como fator comum a “interrupção precoce dos processos de sociabilização”, a qual tem por conseqüência “uma interrupção dos processos normais de desenvolvimento social, cognitivo e da comunicação”. Podemos até sugerir a possibilidade de que estes transtornos estejam relacionados na forma de um - continuum - autístico, não estando distintos por “fronteiras absolutas” (Klin, 2007). Kupfer (2000) critica a classificação abrangente, que desconsidera as peculiaridades nosológicas dos diferentes transtornos agrupados sob os TIDs, agrupando indistintamente “as crianças que eram anteriormente classificadas como psicóticas e autistas, não importando as causas admitidas”. Tenho comentado muito aqui, e não eram minha intenção, discutir ou sugerir os aspectos Psicanalíticos da questão. Porém fiquei bastante curioso na palestra da Professora Maria Eugênia Nabuco, e concordo que sob o ponto de vista da psicanálise, a diferenciação de autismo das demais psicoses infantis é evidentemente radical, segundo afirma Ledoux (1989, cit em Kupfer, 2000). O autor ressalta que se trata de uma distinção básica em nível do “funcionamento mental, dos mecanismos em jogo”. Kupfer (2000) aponta que Jerusalinsky também defende essa visão, considerando necessário distinguir-se o autismo como uma quarta estrutura clínica, além das três clássicas propostas por Lacan: neurose, psicose e perversão:
“No que se refere à lógica que articula a posição do sujeito a respeito do significante, eu diria que 'entre psicose e autismo não há nenhuma identidade de estrutura, porque num caso se trata da forclusão e no outro se trata da exclusão'. É evidente que no campo lacaniano não há unanimidade neste ponto, porque há quem considere (segundo a lógica que tome como referente) a exclusão como um caso particular da forclusão, mas esse não é o meu ponto de vista. 'A diferença entre forclusão e exclusão consiste em que, no caso da forclusão se produz uma inscrição do sujeito numa posição tal que esta inscrição não pode ter conseqüências na função significante. No caso da exclusão não há inscrição do sujeito'; no lugar onde a inscrição deveria se encontrar se encontra o Real, ou seja, a ausência de inscrição. Esta diferença radical de estrutura conduz a efeitos clínicos observáveis” (Jerusalinsky, 1993, cit. em Kupfer, p. 63. Grifo nosso).
Espero não está errado, mais interpreto essa visão de Jerusalinsky, traduzindo em termos mais acessíveis: “no autismo, falha a função materna; na psicose, falha a função paterna”. Nesse sentido, Bosa e Callias (2000) citam que, desde os anos 70 já havia o reconhecimento, por parte de alguns autores, da necessidade de se distinguir as “severas desordens mentais, surgidas na infância, e as psicoses cujo aparecimento se faz mais tarde”, de forma que essa parece ser a tendência contemporânea. Muitos psicanalistas aceitam que a etiologia do autismo também pode afastá-lo das demais psicoses. Alvarez e Tustin são mencionados por Bosa (2000) como exemplo de autores que levam em conta a possibilidade de que os fatores psicogênicos do autismo não se apliquem a todas as crianças nesta condição, sendo importante considerar também os fatores neuroquímicos. Essa visão é condizente com o que defende Kupfer (2000), ao dizer, por exemplo, que nenhum psicanalista que se preze ousaria ignorar o fato de que o bebê é, antes de qualquer coisa, um “conjunto de nervos”. Eu creio na possibilidade de que o bebê venha ao mundo incapaz de absorver os investimentos libidinais da mãe, desmentindo assim a falácia que pretende que a psicanálise classifica as mães de autistas como necessariamente “frias” ou incompetentes. Pelo contrário, existe sim a possibilidade de que mães perfeitamente preparadas tenham filhos autistas dentro da lógica psicanalítica – ainda que haja discordâncias, tais como Bettelheim (Bosa, 2000). No outro pólo desta discussão, Margareth Mahler defendia que o autismo é um subgrupo das psicoses (Bosa & Callias, 2000; Kupfer, 2000). Ela define os conceitos de psicose autística e psicose simbiótica, sendo que, na primeira, a mãe não é vista como algo externo e não é investida libidinalmente pela criança. Na psicose simbiótica, ao contrário, existe uma representação simbólica da mãe, porém fusionada ao self. A partir de 1951, no entanto, a clara distinção entre essas duas categorias deixa de existir na teoria de Mahler, que passa a ver um espectro de traços autísticos e simbióticos nas psicoses infantis (Kupfer, 2000). Melanie Klein, pioneira no tratamento das psicoses infantis, não chegou a distinguir o autismo da esquizofrenia precoce, porém reconheceram nas crianças autistas características “qualitativamente diferentes das encontradas em outras crianças psicóticas” (Kupfer, 2000). Novamente me sinto influenciado pela “Teoria dos Laços Sociais” sugerida pela Professora Doutora Maria Eugênia Nabuco. E recomendo uma reflexão em torno dos aspectos teóricos e práticos:
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