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quarta-feira, 15 de março de 2017

A Professora Maria Eugênia Nabuco nos apresenta no Seminário Internacional e Curso de Inclusão Social (o autor esteve presente



http://www.unilab.edu.br/wp-content/uploads/2012/08/professora-maria-eugênia-345x248.jpg Maria Eugênia é psicóloga clínica, psicanalista com doutorado em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise na Universidade Denis Diderot, Paris VII, Jussieu, França; e pós-doutorado pelo Departamento de Ciências da Educação – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, da Universidade Paris Descartes, Sorbonne. A professora tem uma vasta produção acadêmica sobre educação inclusiva e psicanálise. - http://www.scielo.br/pdf/cp/v40n139/v40n139a04.pdf
A Professora Maria Eugênia Nabuco nos apresenta no Seminário Internacional e Curso de Inclusão Social (o autor esteve presente – O evento tem como objetivo, criar um espaço de diálogo e reflexão para intercâmbio de ações e trocas de experiências sobre a educação inclusiva, focalizando a acessibilidade e a sexualidade da pessoa com deficiência), dois temas importantes para uma reflexão  entre a teoria e a prática: 1) REFLEXÃO SOBRE OS DIAGNÓSTICOS, AS CATEGORIZAÇÕES DAS CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS; 2) ANÁLISE DOS IMPASSES DECORRENTES DAS TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO E DE PSICOPATOLOGIZAÇÃO GENERALIZADA. Vejamos que a exclusão escolar do aluno portador de necessidades especiais pode inexistir se a sociedade avançar nas práticas teóricas em curso, no Brasil, em particular. Atualmente, deparamo-nos com diversos movimentos sociais cobrando uma sociedade mais justa e igualitária. Tanto é assim que foi na década de 1980 que o conceito de inclusão social foi desenvolvido, ganhando maior proporção no decênio de 1990, visando valorizar a diversidade humana, o direito de pertencer, bem como a igual importância das minorias (Wieviorka, 2005). Focaliza-se nessa visão esforços voltados à inclusão do aluno com deficiência no ensino regular, que visa não apenas a entrada do estudante com deficiência na sala de aula regular, mas, também, a ruptura de ações discriminatórias em relação à esta população, a partir da escola, concebida como ambiente no qual grupos sociais distintos possam relacionar-se satisfatoriamente. Dentre as variadas estratégias que podem ser utilizadas pelos movimentos inclusivos, encontram-se pesquisas interventivas psicanalíticas, que visam contribuir no combate às condutas preconceituosas em relação a grupos marginalizados, por meio da abordagem do substrato afetivo-emocional a elas subjacente, uma vez que essa perspectiva compreende que o indivíduo ou coletivo que exclui assim o faz como forma de defender-se da angústia intensa despertada em relação ao outro, colocando-o em um lugar diferenciado justamente no sentido de negar semelhanças com este outro (Aiello-Vaisberg, 2002). Nessa perspectiva, temos observado o grande avanço de um discurso psicanalítico. Esse discurso investigado psicanaliticamente, esta numa interlocução próxima com D.W. Winnicott, o substrato afetivo-emocional que sustenta as condutas estereotipadas e excludentes em relação a diversos grupos sociais, como pacientes psiquiatrizados (Ávila & Aiello-Vaisberg, 2005), homens com disfunções sexuais (Martins, 2007), mulheres que sofrem violência doméstica (Tachibana & Aiello-Vaisberg, 2006), dentre outros. No que se refere ao movimento de inclusão escolar, constata-se que diversos estudos já foram realizados, visando investigar, desde a perspectiva psicológica, o complexo fenômeno de incluir um aluno portador de necessidades especiais em uma sala de aula de ensino regular. Observamos, entretanto, que grande parte dessas pesquisas limita-se à consideração dos aspectos cognitivos dos indivíduos envolvidos no processo de inclusão escolar, como os professores, os pais dos alunos, os estudantes sem necessidades especiais e os alunos com deficiência, por exemplo. Chamamos a atenção para este fato porque, para nós psicanalistas, que temos uma atuação em uma perspectiva psicanalítica, que não concebe o ser humano como exclusivamente racional, movido essencialmente por cognições, as investigações que desconsideram as dimensões emocionais não conscientes deixam de abordar aspectos fundamentais deste complexo fenômeno (Aiello-Vaisberg, 1995). É justamente por valorizarmos a vivência emocional dos fenômenos humanos que consideramos que o conceito de representação social, freqüentemente utilizado nas pesquisas de Psicologia Social, seria insuficiente, uma vez que abarca apenas um grupo particular de condutas. Assim, ao invés de fazermos uso do conceito de representação social, temos, em seu lugar, usado o conceito de “imaginário coletivo”, desenvolvido por Aiello-Vaisberg (1999) numa tentativa de resgatar o substrato afetivo-emocional das manifestações simbólicas das subjetividades grupais. Mediante o exposto, consideramos que fazer-se-ia necessária uma investigação psicanalítica do imaginário coletivo de professores acerca do aluno com deficiência, não apenas porque a maioria dos estudos psicológicos sobre o tema desconsidera as dimensões afetivo-emocionais, mas, também, pensando em produzir um conhecimento que seja operativo em termos interventivos e psicoprofiláticos. Assim, em termos interventivos, consideramos que este estudo pode vir a beneficiar professores e alunos que talvez estejam sofrendo em relação à inclusão escolar; e, em termos preventivos, pode ser igualmente benéfico especialmente para os estudantes portadores de necessidades especiais, vítimas de condutas excludentes. Vemos, desse modo, como a imaginação coletiva que se tece ao redor da figura dos excluídos pode ser perfeitamente tomada como fenômeno digno de atenção teórico clínica, legitimando abordagens que facilitem sua expressão e transformação.
http://www.unilab.edu.br/wp-content/uploads/2012/08/professor_eric_plaisance-345x258.jpgO professor Eric Plaisance é graduado em Filosofia, com doutorado em Ciências Humanas pela Universidade René Descartes-Paris (Sorbonne – França), pesquisador e professor de Sociologia da Educação na mesma instituição. Plaisance atua em conselhos de incentivo e apoio a jovens e adultos deficientes e é membro do Conselho Científico do Observatório Nacional da Criança em Perigo (ONED). Possui artigos relacionados à educação de criança e adolescente e protagonismo das crianças.
O professor Eric Plaisance nos apresenta no Seminário Internacional e Curso de Inclusão Social (o autor esteve presente), uma abordagem sociologicamente relevante que versa sobre os aspectos da evolução da Educação Especial, destinada aos portadores de deficiências. E provoca um questionamento que pode resultar no repensar de conceitos: EDUCAÇÃO INCLUSIVA x EDUCAÇÃO ESPECIAL. Uma ambigüidade?

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