Maria Eugênia é psicóloga clínica, psicanalista com doutorado em
Psicopatologia Fundamental e Psicanálise na Universidade Denis Diderot, Paris
VII, Jussieu, França; e pós-doutorado pelo Departamento de Ciências da
Educação – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, da Universidade Paris
Descartes, Sorbonne. A professora tem uma vasta produção acadêmica sobre
educação inclusiva e psicanálise. - http://www.scielo.br/pdf/cp/v40n139/v40n139a04.pdf
A Professora Maria Eugênia Nabuco nos apresenta no Seminário
Internacional e Curso de Inclusão Social (o autor esteve presente – O evento
tem como objetivo, criar um espaço de diálogo e reflexão para intercâmbio de
ações e trocas de experiências sobre a educação inclusiva, focalizando a
acessibilidade e a sexualidade da pessoa com deficiência), dois temas
importantes para uma reflexão entre a
teoria e a prática: 1) REFLEXÃO SOBRE OS DIAGNÓSTICOS, AS CATEGORIZAÇÕES DAS
CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS; 2) ANÁLISE DOS IMPASSES DECORRENTES DAS
TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO E DE PSICOPATOLOGIZAÇÃO GENERALIZADA. Vejamos que a
exclusão escolar do aluno portador de necessidades especiais pode inexistir se
a sociedade avançar nas práticas teóricas em curso, no Brasil, em particular.
Atualmente, deparamo-nos com diversos movimentos sociais cobrando uma sociedade
mais justa e igualitária. Tanto é assim que foi na década de 1980 que o
conceito de inclusão social foi desenvolvido, ganhando maior proporção no
decênio de 1990, visando valorizar a diversidade humana, o direito de
pertencer, bem como a igual importância das minorias (Wieviorka, 2005).
Focaliza-se nessa visão esforços voltados à inclusão do aluno com deficiência
no ensino regular, que visa não apenas a entrada do estudante com deficiência
na sala de aula regular, mas, também, a ruptura de ações discriminatórias em
relação à esta população, a partir da escola, concebida como ambiente no qual
grupos sociais distintos possam relacionar-se satisfatoriamente. Dentre as
variadas estratégias que podem ser utilizadas pelos movimentos inclusivos,
encontram-se pesquisas interventivas psicanalíticas, que visam contribuir no
combate às condutas preconceituosas em relação a grupos marginalizados, por
meio da abordagem do substrato afetivo-emocional a elas subjacente, uma vez que
essa perspectiva compreende que o indivíduo ou coletivo que exclui assim o faz
como forma de defender-se da angústia intensa despertada em relação ao outro,
colocando-o em um lugar diferenciado justamente no sentido de negar semelhanças
com este outro (Aiello-Vaisberg, 2002). Nessa perspectiva, temos observado o
grande avanço de um discurso psicanalítico. Esse discurso investigado
psicanaliticamente, esta numa interlocução próxima com D.W. Winnicott, o
substrato afetivo-emocional que sustenta as condutas estereotipadas e
excludentes em relação a diversos grupos sociais, como pacientes
psiquiatrizados (Ávila & Aiello-Vaisberg, 2005), homens com disfunções
sexuais (Martins, 2007), mulheres que sofrem violência doméstica (Tachibana
& Aiello-Vaisberg, 2006), dentre outros. No que se refere ao movimento de
inclusão escolar, constata-se que diversos estudos já foram realizados, visando
investigar, desde a perspectiva psicológica, o complexo fenômeno de incluir um
aluno portador de necessidades especiais em uma sala de aula de ensino regular.
Observamos, entretanto, que grande parte dessas pesquisas limita-se à
consideração dos aspectos cognitivos dos indivíduos envolvidos no processo de
inclusão escolar, como os professores, os pais dos alunos, os estudantes sem
necessidades especiais e os alunos com deficiência, por exemplo. Chamamos a
atenção para este fato porque, para nós psicanalistas, que temos uma atuação em
uma perspectiva psicanalítica, que não concebe o ser humano como exclusivamente
racional, movido essencialmente por cognições, as investigações que
desconsideram as dimensões emocionais não conscientes deixam de abordar
aspectos fundamentais deste complexo fenômeno (Aiello-Vaisberg, 1995). É
justamente por valorizarmos a vivência emocional dos fenômenos humanos que
consideramos que o conceito de representação social, freqüentemente utilizado
nas pesquisas de Psicologia Social, seria insuficiente, uma vez que abarca
apenas um grupo particular de condutas. Assim, ao invés de fazermos uso do
conceito de representação social, temos, em seu lugar, usado o conceito de
“imaginário coletivo”, desenvolvido por Aiello-Vaisberg (1999) numa tentativa
de resgatar o substrato afetivo-emocional das manifestações simbólicas das
subjetividades grupais. Mediante o exposto, consideramos que fazer-se-ia
necessária uma investigação psicanalítica do imaginário coletivo de professores
acerca do aluno com deficiência, não apenas porque a maioria dos estudos psicológicos
sobre o tema desconsidera as dimensões afetivo-emocionais, mas, também,
pensando em produzir um conhecimento que seja operativo em termos interventivos
e psicoprofiláticos. Assim, em termos interventivos, consideramos que este
estudo pode vir a beneficiar professores e alunos que talvez estejam sofrendo
em relação à inclusão escolar; e, em termos preventivos, pode ser igualmente
benéfico especialmente para os estudantes portadores de necessidades especiais,
vítimas de condutas excludentes. Vemos, desse modo, como a imaginação coletiva
que se tece ao redor da figura dos excluídos pode ser perfeitamente tomada como
fenômeno digno de atenção teórico clínica, legitimando abordagens que facilitem
sua expressão e transformação.
O professor Eric Plaisance é graduado em Filosofia, com doutorado em
Ciências Humanas pela Universidade René Descartes-Paris (Sorbonne – França),
pesquisador e professor de Sociologia da Educação na mesma instituição.
Plaisance atua em conselhos de incentivo e apoio a jovens e adultos deficientes
e é membro do Conselho Científico do Observatório Nacional da Criança em Perigo
(ONED). Possui artigos relacionados à educação de criança e adolescente e
protagonismo das crianças.
O professor Eric Plaisance nos apresenta no Seminário Internacional e
Curso de Inclusão Social (o autor esteve presente), uma abordagem
sociologicamente relevante que versa sobre os aspectos da evolução da Educação
Especial, destinada aos portadores de deficiências. E provoca um questionamento
que pode resultar no repensar de conceitos: EDUCAÇÃO INCLUSIVA x EDUCAÇÃO
ESPECIAL. Uma ambigüidade?
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